O dilema é de facto o grande resultado das autárquicas de Domingo na nossa Região Agradavelmente surpreendidos, surge a pergunta: o que fazer com estes resultados? A noite anunciava alterações e as expectativas eram muitas. A hecatombe foi grande e ultrapassou os mais esperançados na dimensão e na diversidade. Soam justas palmas aos persistentes, abnegados e desinteressados. Há vitórias para todos os gostos e derrotado, na verdade, é só um. Quem teima em não querer sair, sofreu um valente empurrão, mas ainda persiste num finca-pé, surdo aos apelos vindos de todos os lados. Mas serão os resultados suficientes para as esperanças verdadeiramente alimentadas neste último Domingo? Miguel Albuquerque é atravessado pelo dilema: já ou daqui a um ano? Valerá a pena aproveitar a ferida aberta e exigir cura imediata, ou deixar gangrenar o inevitável, procurando agregar mais personagens à causa e mais tarde, de rompante,colorir o laranja esbatido que ficou nas faces dos mais militantes? Suportará o PSD um ano de incertezas a lume brando ou a vontade de quebrar, mesmo com os elevados riscos que comporta, imporá a ruptura com um modo de governo que já nada traz de novo? E as oposições, que irão fazer com este resultado? A vontade de mudança superou as ideologias, mas será suficiente para oferecer um projecto regional alternativo e credível? Reconhecendo que o eleitorado quis mudar e consequentemente castigar quem tenta inverter o movimento da roda, será que o resultado só por si gera sinergias capazes de oferecer a breve trecho a alternativa regional que está no pensamento das novas maiorias? A questão é especialmente acutilante para o PS Madeira que sabe que a mudança resultou no Funchal, mas falhou em Câmara de Lobos; que os independentes e a novidade de protagonistas têm percentagens mais elevadas do que tradicionais lutadores nos diversos concelhos. Será que o Partido Socialista persistirá na união que lhe deu o colar da cidade capital, ou verá mais alto e mais longe e aceitaria pensar em grande, no quadro do arco constitucional,oferecendo disponibilidade para fazer parte de uma alternativa verdadeiramente nova e consubstanciada em projectos e listas credíveis e exequíveis? E o que dizer do resistente CDS/PP, engrandecido no resultado mas limitado na estratégia e com dificuldade em responder com eficácia ao apelo dessa mudança que fala mais alto? O dilema é de facto o grande resultado das autárquicas de Domingo na nossa Região. Depois da festa, recolhidos os foguetes, é a responsabilidade que estimula o devir. Há que pensar a Madeira o que exige respostas claras e mobilizadoras. Ricardo Vieira

O dilema é de facto o grande resultado das autárquicas de Domingo na nossa Região

Agradavelmente surpreendidos, surge a pergunta: o que fazer com estes resultados? A noite anunciava alterações e as expectativas eram muitas. A hecatombe foi grande e ultrapassou os mais esperançados na dimensão e na diversidade. Soam justas palmas aos persistentes, abnegados e desinteressados. Há vitórias para todos os gostos e derrotado, na verdade, é só um. Quem teima em não querer sair, sofreu um valente empurrão, mas ainda persiste num finca-pé, surdo aos apelos vindos de todos os lados. Mas serão os resultados suficientes para as esperanças verdadeiramente alimentadas neste último Domingo? Miguel Albuquerque é atravessado pelo dilema: já ou daqui a um ano? Valerá a pena aproveitar a ferida aberta e exigir cura imediata, ou deixar gangrenar o inevitável, procurando agregar mais personagens à causa e mais tarde, de rompante,colorir o laranja esbatido que ficou nas faces dos mais militantes? Suportará o PSD um ano de incertezas a lume brando ou a vontade de quebrar, mesmo com os elevados riscos que comporta, imporá a ruptura com um modo de governo que já nada traz de novo? E as oposições, que irão fazer com este resultado? A vontade de mudança superou as ideologias, mas será suficiente para oferecer um projecto regional alternativo e credível? Reconhecendo que o eleitorado quis mudar e consequentemente castigar quem tenta inverter o movimento da roda, será que o resultado só por si gera sinergias capazes de oferecer a breve trecho a alternativa regional que está no pensamento das novas maiorias? A questão é especialmente acutilante para o PS Madeira que sabe que a mudança resultou no Funchal, mas falhou em Câmara de Lobos; que os independentes e a novidade de protagonistas têm percentagens mais elevadas do que tradicionais lutadores nos diversos concelhos. Será que o Partido Socialista persistirá na união que lhe deu o colar da cidade capital, ou verá mais alto e mais longe e aceitaria pensar em grande, no quadro do arco constitucional,oferecendo disponibilidade para fazer parte de uma alternativa verdadeiramente nova e consubstanciada em projectos e listas credíveis e exequíveis? E o que dizer do resistente CDS/PP, engrandecido no resultado mas limitado na estratégia e com dificuldade em responder com eficácia ao apelo dessa mudança que fala mais alto? O dilema é de facto o grande resultado das autárquicas de Domingo na nossa Região. Depois da festa, recolhidos os foguetes, é a responsabilidade que estimula o devir. Há que pensar a Madeira o que exige respostas claras e mobilizadoras.

Ricardo Vieira