Foram muitas as gerações de madeirenses que contribuíram para o projecto-orquestra do séc. XX. A Orquestra de Câmara do Funchal surgiu em 1959, constituída por nove músicos, professores e alunos da Academia de Música da Madeira. Em 1964, nascia a Orquestra de Câmara da Madeira com 13 elementos, aumentando esse número até uma vintena de executantes, todos professores e alunos da já referida instituição. Em 1972, o maestro Augusto Pereira de Sousa afirmou ao DN que os executantes seriam gratificados pela sua prestação musical. Antes dessa data, ninguém recebia nada. Até ao 25 de Abril de 1974, o carácter não-regular da orquestra e a boa vontade dos músicos foram a nota dominante. Sucederam-se várias paragens forçadas, das quais recordo a de 1988, por falta de financiamento e a de 1993, na qual o jovem maestro Zoltan Santa confirmou, em pleno concerto, o atraso de 6 meses de salário aos músicos. Aplaudido efusivamente pelo público, foi demitido compulsivamente no dia seguinte, do cargo de maestro e de professor do conservatório. Tudo isto é apenas um sumário da evolução do projecto-orquestra. Para os que gostam de comparações com as Canárias, referir que lá existem duas orquestras sinfónicas, uma em Las Palmas e outra em Tenerife. Coincidência ou não, o principal clube de futebol das ilhas espanholas está na 2ª divisão do campeonato. Uma questão de política cultural? Não, apenas factos. As decisões, essas, são e serão sempre políticas.
Vítor Sardinha, Música