Na próxima segunda-feira, cerca das 20 horas, a FIFA confirmará na Kongresshaus, em Zurique, aquilo que os seguidores do futebol à escala mundial já sabem: Cristiano Ronaldo não será designado o Melhor do Mundo em 2012. Todos os protagonistas já proferiram declarações no mesmo sentido, embora com argumentações diferentes. Assim sendo, perante tamanha unanimidade, é impossível que a escolha de Lionel Messi não seja justa e merecida. Quem gosta de futebol deve dar graças a Deus pelo facto do argentino nos deliciar, semana após semana, com jogadas espantosas, arte pura; quem gosta de futebol também deve agradecer a Deus por desfrutar das capacidades futebolísticas fenomenais de Cristiano Ronaldo, um atleta verdadeiramente fora-de-série. Quem tem alguma razão para estar ‘chateado’ com o Criador só pode ser, precisamente, o internacional madeirense: foi demasiado azar estar a jogar na mesma altura que o fenómeno do Barcelona. Se assim não fosse, teríamos Cristiano Ronaldo como Melhor do Mundo uns cinco anos seguidos. Por outro lado, o outro azar de Cristiano foi a alteração das regras do prémio – hoje muito mais justo e lógico – que noutras épocas beneficiaram, por exemplo, Michel Platini. O antigo jogador francês, que brilhou na Juventus e é hoje um bom presidente da UEFA, foi eleito o melhor três anos seguidos – simplesmente porque o ‘deus’ Diego Maradona era argentino e o prémio só escolhia os melhores da Europa! Nesta altura em que, perante nova consagração de Lionel Messi, muita gente aproveita para descarregar frustrações no comportamento extra-futebol de Cristiano Ronaldo – uma tique muito madeirense – gostaria de apresentar o meu ponto de vista: futebol é dentro de campo e, lá dentro, Cristiano Ronaldo é fabuloso, mesmo que nos últimos meses tenha feito os 3 piores jogos de toda a sua carreira. Tão fabuloso que está há seis anos – SEIS ANOS – entre os melhores três do Mundo! Messi é melhor? Sim, este ano voltou a ser melhor. Quem gosta de futebol – de preferência percebendo alguma coisa da modalidade para além das cores clubísticas – deve considerar-se privilegiado por ter todas as semanas dois artistas deste calibre a entrar pela casa a dentro, via TV. Esclarecida a vertente futebolística, é óbvio que também podemos conversar sobre a postura dos dois grandes jogadores fora de campo. É óbvio que Cristiano Ronaldo podia – e devia – dar um sorriso e um autógrafo à criança que o esperava no aeroporto. Também podia – e devia – parar durante 30 segundos e repetir aquelas banalidades que os futebolistas dizem vezes sem conta. Votos de Bom Ano também não ficariam mal. E, vá lá, um sorriso fotogénico não retiraria nenhum pedaço à sua bela namorada. Mas, reconheçamos, esta parte é da privacidade que as ‘estrelas’ também podem ter. Não tenho conhecimento que Messi ande por aí a distribuir sorrisos e autógrafos à hora que apetece aos seus fãs. Mas não é por isso que deixa de ser o Melhor do Mundo. Em que falha, então, o nosso Cristiano Ronaldo? Do meu ponto de vista, provavelmente apenas uma falha que atribuo ao seu empresário e amigo Jorge Mendes: sendo das poucas pessoas que o ‘craque’ ouve com atenção, competia-lhe corrigir e orientar algumas das posturas que, ao nível do grande público, caem sempre mal. Há vários exemplos, que não vou repetir, porque básicos. Simples de mais. E não vale a pena virem com a frase feita de que não ligam ao grande público. Ligam, ligam. E é importante que liguem. Não deve é ser apenas para se queixarem da injustiça das ‘sentenças públicas’... que afinal contam mesmo!