Depois de um fim de semana marcado por mais uma manifestação, decidi voltar a testar a paciência de quem ainda a tem, para ponderar nalguns pormenores. No meio de alguma euforia, ou melhor, no meio de alguns meios, onde grassa alguma euforia causada pelo regresso de Portugal aos mercados internacionais, coloco eu a questão: Em que aspeto nós, como povo, podemos ver algum "retomar de normalidade" nas condições de vida, na resolução da precaridade de trabalho ou no diminuir da taxa de desemprego? O problema a meu ver, reside única e exclusivamente na ausência de culturas. Sim, não foi engano…a palavra culturas foi empregue propositadamente no plural. Passo a explicar…a ausência de cultura fiscal, a ausência de cultura ética, a ausência de cultura profissional, a ausência de cultura de responsabilização, a ausência de cultura de exigência de nível, a ausência de cultura cívica, a ausência de cultura de voluntariado, a ausência de cultura empresarial, a ausência de cultura de brio Nacional e pessoal, enfim, todas estas "ausências" tornaram-nos num povo, filhos de um deus menor, à beira de um ataque de nervos. A filosofia do corte pelo corte, da austeridade pela austeridade, sem que, num linguajar inteligível se explique o que se propõe fazer para resolver os problemas, quais os meios necessários para tal e, em última instância, se apresentem prazos exequíveis e meios adequados para concretizar os mesmos, responsabilizando, aí sim, á posteriori políticos, gestores, empresários, banqueiros, cidadãos comuns, enfim, todos os quadrantes que devem compor uma sociedade que se quer justa e equilibrada. Capacidade par isso temos.

Carlos Pestana, Chefe dos Serviços Antena 1 Madeira, Antena 3 Madeira e Antena 1 Madeira Desporto