Não me espantaria que a maioria das respostas fosse negativa. Aliás, muitos de nós já não nem nos questionamos muito sobre isto, mas é precisamente quando deixamos de o fazer, que devemos fazer soar o alerta interno. O modo como estruturámos o emprego e a vida em sociedade incutiu-nos a obrigação de nos encaixarmos dentro de uma ocupação profissional onde as escolhas são cada vez mais reduzidas. Enquanto essa filosofia perdurar, maior será o número de respostas negativas à pergunta inicial. E onde reside então a importância de nos dedicarmos àquilo de que, realmente, gostamos de fazer? É porque nós só nos tornaremos realmente muito bons, naquilo que realmente gostamos de fazer. Podemos mesmo tornar-nos mestres naquilo que realmente gostamos de fazer. E esta realidade não será apenas positiva para nós, como para a eventual organização ou estrutura onde nos encontremos. Esta ideia defendida por Alan Watts - autor conhecido por popularizar filosofias da Ásia para o público ocidental - reside no facto de que não devemos deixar de lutar pelos nossos sonhos porque quando nos aproximarmos deles, eles irão reconhecer-nos. E de nada vale esperar pela fase final da vida (por outras palavras, a reforma) para começarmos a fazer aquilo de que, realmente, gostamos. Não apenas será tarde, como teremos desperdiçado uma vida em auto-enganos. Nunca é demais recordarmos a nós próprios - sem deixarmos totalmente de lado a nossa integração no "sistema" - qual o propósito pelo qual viemos a este mundo: ser felizes!
Luís Sena-Lino, Consultor de Marketing e Comunicação ([email protected] )