Expressão tornada célebre por Winston Churchill, proferida num dos seus discursos em 1946, os Estados Unidos da Europa não ambicionavam a complexa teia de relações da União Europeia dos nossos dias, contentando-se com a - não menos célebre - sentença popular, sobre como devemos manter os amigos próximos e os inimigos ainda mais, com receio de novo conflito. Ainda que camuflado por mais de 60 anos de paz, a Europa já foi palco de inúmeros confrontos bélicos e sede de vários movimentos secessionistas, que por sua vez deram lugar ao inevitável retalhar de fronteiras. Arriscando uma viagem ao passado, são exemplos inevitáveis a Guerra Franco-Prussiana, as revoltas no Império Austro-Húngaro, a ocupação alemã de Danzig e a fragmentação da ex-Jugoslávia. Os territórios - como qualquer organismo vivo - têm ciclos de vida, que se manifestam pelo contínuo movimento de expansão e contracção das suas fronteiras. Ora, se o passado europeu confirma esta regra, o que nos reserva o seu futuro? Em Espanha, a independência da região da Catalunha parece imparável, com a marcação de um referendo nos próximos 4 anos. No Reino Unido, a independência da Escócia já está posta em cima da mesa, com um referendo marcado para 2014. A Itália, foi sempre ensombrada por desejos independentistas, exemplo da região de Veneto e Tirol do Sul. Na Bélgica, a vitória do candidato que apoia a independência da Flandres, nas eleições municipais em Antuérpia, veio dar alento decisivo na secessão da região. É esta a missão primária da União Europeia - permitir que os países mais pequenos escolham o seu caminho, sem correr o risco de enfrentar a sós, as pressões de países maiores. É este o paradoxo da nossa União.
João Paulo Marques, Advogado