É um regalo vê-lo escorregar pelas escadas acima. Assim como assim, os nativos gostam de levar porrada. Gostam e quando dada por forasteiros, tanto melhor. Uma alegria. Transformou e moldou a orquestra ao estilo do único importante. Dispensou o contributo dos jovens músicos madeirenses e harmonizou as partes de forma a que as melhores notas soassem silenciosamente no bolso da cor do cavalo azul de Napoleão. E foi-se a fundação. De mão dada com os eleitos, tudo indica que arrastará a sua enxovalhada e moribunda dama para o seu conservatório. A orquestra académica terá o mesmo fim do que teve a de sopros, assim como terão fim idêntico ao que teve o seu braço direito, todos aqueles que se atreverem a fazer sombra. Assim se brinca com a nossa identidade cultural. Assim, nas barbas de quem insistentemente clama por autonomia. A questão talvez seja outra. Um povo atrasado. E não o é, só porque nunca chega a horas.
Eurico Martins, Dir. Orquestra de Bandolins