José António G. de Freitas No oceano Atlântico, perto da costa africana, existe uma ilha onde o Natal desde muito cedo, é um período de grande entusiasmo e de vivência única. A ilha torna-se a partir do dia 15 do mês de dezembro com o início das chamadas missas do parto, eventos só da ilha , uma espécie de aldeia onde as pessoas vivem o Natal , em pleno convívio, onde se misturam os sabores, os cheiros, as vistas, enfim são gozados com todos os sentidos. Religiosos ou não, ricos e pobres , ninguém escapa à magia, a tradição que esta quadra proporciona onde a solidariedade, a amizade, e o desfrutar da boa mesa se equilibram. Por se tornar numa " aldeia" , toda a gente se conhece , toda a gente se cumprimenta, toda a gente endereça votos de boas festas. Também tem um evento que acontece na noite de 23 , quase tão importante como a noite da consoada. A noite do mercado ! Única, onde as ruas que circundam o edifício do mercado se enchem de pessoas, de todas as idades, ricos, pobres, artistas, intelectuais, políticos. Ilha de turismo , todos os dias misturam-se os locais com os estrangeiros, numa linguagem universal de boa vontade, de paz e felicidade. Os filhos da ilha que passam o ano fora, não resistem, e regressam sempre por esta altura, quais andorinhas na Primavera. E é vivido ao máximo até o dia do Santo Amaro, já a meados do mês de janeiro. Sim, para mim é impensável passar o Natal fora da Ilha da Madeira.