Nuno Ribeiro Assistimos hoje a uma grave crise económica e cultural, tanto em Portugal como em toda a Europa. Estas dificuldades financeiras levam a descrenças acerca dos pilares da União Europeia. Os povos europeus são unidos pela herança comum que lhes foi deixada pelo Humanismo e pela Cultura grega e romana: os valores da Liberdade, da Democracia e da Paz. A Europa é, foi e será sempre uma bandeira com significado de democracia. Enquanto a crise se alastra nos países do mediterrâneo da União Europeia, o Norte da Europa continua a viver e a usufruir o crescimento. Contudo, no norte nem tudo é crescimento, ou vejamos o Reino Unido. O Reino Unido é hoje um Estado em graves dificuldades económicas, que apesar de ter uma indústria tão forte, as suas dificuldades não são facilmente resolvidas. A grande diferença entre o Reino Unido e Portugal está no seu poder de crescimento, desenvolvimento, na indústria, tecnologia e cultural, ou seja, em tudo. Assim, o Reino Unido apesar de ultrapassar por dificuldades está numa situação muito mais vantajosa que Portugal. Contudo, o povo Britânico - ou a sua maioria - é um povo demasiado patriótico para tolerar dificuldades devido às crises de outros. Cada vez mais surge um movimento no Reino Unido contra a permanência deste na União Europeia. Este é um movimento que não surge de agora, mas um movimento adormecido. É sabido, que o povo Britânico sempre foi muito individualista, não só como indivíduo, mas no sentido de se sentirem um Reino diferente da restante Europa. O distanciamento entre as ilhas Britânicas e a Europa traduz o grande Eurocepticismo existente entre os ingleses. As últimas notícias referem que o Reino Unido está perto de sair da União Europeia, se é que alguma vez esteve. É neste sentido que chega o grande debate: deveria a União Europeia desenvolver tratados em que só alguns participam? Se sim qual o sentido de uma Europa unida, sem união e comparticipação total dos estados-membros? Sem uma existência de uma política de redistribuição, sem o contributo total dos estados-membros, que futuro será o da União Europeia? Eurocepticismo, cultural, económico são factores que definem uma Europa com metas confusas e uma união fracassada, na minha opinião. Disparidades brutais entre os Estados-membros, fazem de nós - Portugal - um Mississipi da europa. Temos que nos questionar, como sociedade, enquanto povo e nação, estado soberano, e como cidadãos democráticos, se é este o destino que nos reserva. Um Reino Unido distante, muito distante, talvez nunca pertencente a esta União Europeia, leva a questões morais e políticas. A hora de tornar a europa numa verdadeira face da democracia, equidade, e progresso social e económico parece estar num futuro longínquo, ou vejamos o ministro britânico das Finanças, George Osborne, ao referir a postura do Governo do Reino Unido em relação ao seu futuro na União Europeia: "Para nos mantermos na UE, a UE tem que mudar". Pergunto, não deveria ser ao contrário? Se não o for, deveríamos enquanto sociedade civil analisar se queremos abdicar da nossa soberania em prol de uma Europa céptica, de uma Europa com um futuro mais separatista do que federalista.