Todos os dias somos invadidos a nível nacional com notícias sobre o agravamento em 2013 como que a preparar-nos para o pior fazendo-nos baixar as nossas expectativas de um futuro melhor. De facto, a insistência nas soluções suportadas na receita através do agravamento de impostos e taxas, em lugar do corte cirúrgico na despesa, só pode reduzir o rendimento disponível das famílias e, por consequência, o nível global da procura, logo do rendimento nacional. Na Madeira, não poderia ser diferente mas o que nos deve preocupar é que face ao modelo desenvolvido nas últimas três décadas na Região as consequências poderão ser ainda mais graves. Porquê? Porque, temos hoje, uma economia mais fraca, menos competitiva, para enfrentar os desafios de um contexto exterior menos favorável. Porque, temos hoje, uma economia pouco inovadora em termos de sectores exportadores de maior valor acrescentado. Porque, temos hoje, uma actividade turística errática, com altos e baixos, sem garantia de um futuro sustentado, por falta de estratégia coerente no reposicionamento do destino e por consequência na captação de novos mercados ou na exploração de novos segmentos em mercados existentes, suportada numa política de transporte aéreo coerente. Porque, não temos hoje, mais investimento externo que pudesse ter vindo em busca de rentabilidade num cluster qualquer a desenvolver na Madeira. Porque, construímos estradas, mas não conseguimos alterar os padrões de mobilidade trabalho-casa, que desconcentrassem o peso excessivo da ocupação urbana e respectivas infraestruturas, instaladas ou a instalar na capital. Porque, construímos equipamentos colectivos (Centros de Saúde, Pavilhões gimnodesportivos, etc) mas não melhorámos o nível de vida das populações que os devessem utilizar por falta de manutenção dos mesmos ou por desajustamento das soluções implementadas à realidade que pretendiam servir. Porque, produzimos eventos culturais mas não investimos o suficiente na formação e cultura de base das populações de modo a que pudessem sustentar a produção e consumo de produtos culturais numa perspectiva, que já faz terreno, de redução do subsídio público ou mesmo da sua eventual eliminação. Porque, enfim, não formámos as pessoas para serem mais independentes e autónomas na sua maneira de pensar e agir por forma encontrarem soluções de vida e de trabalho sem terem de recorrer ao habitual «emprego público» (no governo ou nas autarquias), em perda clara de velocidade. Por tudo isso, 2013 não nos pode trazer esperança sem uma mudança dos protagonistas no poder, regional e local, com novas soluções, novos meios e, sobretudo, com capacidade para mobilizar a sociedade madeirense e apelar á ajuda externa em termos de investimento e competências que alterem o paradigma de uma economia estagnada e sem saber para onde e como ir.

Nuno Jardim Fernandes - Gestor