1- Um Serviço Público de Saúde deve gerir os seus recursos para garantir a melhor Saúde possível aos seus utentes. Quando o "core business" da organização é mal gerido, com resultados de gestão medíocres, não faz sentido centralizar e agregar mais serviços que, sendo complementares, não fazem parte das competências de um serviço prestador de cuidados de saúde. 2 - Na Saúde, a procura não é independente da oferta, sendo claro que uma maior oferta induz sempre uma maior procura. É a oferta que determina a procura e não o contrário, sendo o prestador de cuidados de saúde quem tem a capacidade de induzir a quantidade, a frequência e o custo dos cuidados prestados. O mercado é imperfeito pois o consumidor de bens de cuidados de saúde não tem a mesma informação que tem o prestador dos mesmos. Na Saúde existe uma ideia de gratuitidade por parte do utente, em que este recorre a serviços que estão disponíveis sem quaisquer encargos. Esta falsa gratuitidade leva a que haja um desperdício de recursos face às necessidades dos utentes. A relação triangular entre o médico que prescreve, o doente que consome e o Estado que paga, é responsável por esta situação de descontrolo e desperdício. Os mais prejudicados são os mais pobres, por falta de equidade no acesso. O Estado a tratar de igual forma situações distintas, acaba por prejudicar quem não tem meios para ter outras alternativas e que têm de se sujeitar a listas de espera, filas de atendimento e serviços com qualidade deficiente. Os recursos são finitos e as necessidades são sempre superiores aos meios. Cabe ao Estado promover mecanismos de controlo e gestão que permitam uma melhor distribuição e utilização de recursos.

Duarte Nuno Dória, Gestor