Estamos em plena época de promessas. Ano novo, vida nova. Será? Não será apenas mais um discurso inconsequente? Prometemos (aos outros e a nós próprios) que agora é que é, seja em temos pessoais, familiares ou profissionais, por exemplo, que, faremos atividade física, teremos cuidado com a alimentação, estudaremos mais, nos organizaremos de outra forma, refrearemos o espírito consumista, perderemos menos tempo com coisas inúteis, seremos mais compreensivos, etc. Há promessas para todos os gostos e feitios. É certo que há mudanças que podem ser estruturantes e promover e potenciar uma rotura (que é o que necessitamos, pois já não bastam acertos pontuais), mas na maior parte dos casos, mesmo que levássemos à prática as nossas intenções apenas seriam pequenas pedradas no charco, pois no essencial tudo ficaria na mesma (há mudanças que não dependem de voluntarismos individuais, são estruturais). Não basta querer mudar, é preciso saber para onde se quer e pode ir. A título de exemplo, se quisermos mudar a Escola e o Desporto, para não continuarem a preparar para o passado, em primeiro lugar temos de definir onde queremos estar daqui a 15/20 anos. Temos de identificar o que tem de ser alterado desde já e onde teremos de estar ao fim de um, cinco, dez anos… Mas para que isto seja possível, não nos podemos ficar por opiniões pontuais, na maior parte das vezes baseadas essencialmente em crenças e dogmas e muito pouco no estudo e reflexão. Para atuarmos de forma coerente e rentável é necessário utilizar uma metodologia adequada, há assim que, por exemplo, perceber os fenómenos, saber como atuar sobre eles, definir os meios disponíveis, montar estratégias de atuação, desenvolver as estratégias consideradas mais adaptadas e controlar a sua evolução e aplicação. Mas haverá disponibilidade para mudar? Ou melhor, será que temos consciência que a mudança é inevitável (há mudanças que já deveriam ter ocorrido há décadas)? É que se não temos consciência disso… estamos conversados ("tramados").

Hélder Lopes, Professor Universitário