Não consigo entender como é que alguém com responsabilidade na gestão seja do que for mas sobretudo do que não é seu consegue, com a ligeireza com que oiço falar os responsáveis pela governação, pensar os destinos do lhe está nas mãos com o horizonte temporal do amanhã. A execução orçamental está a correr mal? Aumentam-se os impostos! Precisamos de mais receita fiscal? Aumentam-se os impostos! Há um buraco algures numa área qualquer? Aumentam-se os impostos! Pagamos todos, não resolvemos nada mas ao menos para amanhã está coberto. Depois, logo se vê. A explicação só pode ser uma: - não conseguimos livrar-nos dos vários poderes que minam a nossa economia e tanto influenciam a sociedade. Não estou a referir-me a nenhuma teoria maquiavélica do género da maçonaria ou do clã Bush mas aos imensos e poderosos interesses que existem em todas as áreas. Confunde-me, por exemplo, que um supermercado possa vender, para além do que é suposto, livros, CD's, medicamentos, electrodomésticos, mobiliário e mais sei lá o quê que a falta de caracteres não me permite explicitar. Os bancos, esses desgraçados, estão de tal maneira atrapalhados e com lucros tão espremidos que agora trocaram a venda de dinheiro por negócios de viagens, bordados, vinhos e, por força das circunstâncias, imóveis. Não aceito igualmente que, pelo menos na Europa, não se tenha já estabelecido um imposto social para os produtos importados de países que não respeitam os direitos humanos e utilizam mão-de-obra infantil. Tivessem os talhantes a força dos lobbies que acima referi e estou certo que nesta altura estariam a vender peixe! Quem sofre é, evidentemente, o pequeno empresário, que não tem qualquer hipótese de concorrer com esta "polivalência" e se vê obrigado, também por força da crescente escalada fiscal, a fechar portas. Mas para amanhã estamos bem…
André Barreto, Economista