Acompanhei, através da Comunicação Social, uma recente denúncia, e provável penalização, de uma empresa investigada, na área comercial, por ter pago para que, em determinados blogs surgissem comentários elogiosos sobre produtos, sem deixar clara a publicidade. Ocorreu-me o caso da Comunicação Social, onde tudo se torna muito mais delicado por se tratar de um lugar vital no exercício dos poderes e na organização da sociedade. De entre as muitas questões nevrálgicas que hoje se colocam ao Jornalismo, na Madeira, esta ganha especial relevância: o jornalismo comprado ao metro. Não é só a governação quem paga, em particular, através do Jornal da Madeira, para fazer propaganda. Com os dinheiros públicos são compradas as campanhas para divulgação da propaganda do regime. Em paralelo, é constrangedor ver partidos de entre as oposições a comprarem a imprensa para publicidade disfarçada. Avultados pagamentos garantem, como contrapartida, comentários sempre elogiosos, numa publicidade que se confunde com o que parece, e não é, Jornalismo. A repetição do elogio, os destaques garantidos, tantas das vezes infundados, não decorrentes da relevância significativa dos factos, do alcance político do discurso ou do ineditismo dos acontecimentos, sobretudo, como obrigatória consequência do pagamento ao metro, colocam questões éticas à intervenção política e ao Jornalismo. O que está em causa é a qualidade da Democracia.

Edgar Silva, Líder do PCP-Madeira