Tal como uma criança que aguarda pela época festiva para receber prendas, por esta altura também muitos trabalhadores andam a suspirar pelo Natal… mais concretamente pelo subsídio de Natal. A redução drástica nas importações do país e o aumento das exportações fez com que o nosso défice externo caísse de 10% para 2% e a continuar a este ritmo em breve estaremos numa situação de superávite. É com este argumento que o país tenta convencer a troika a não cortar parcialmente ou mesmo na totalidade os subsídios de Natal do sector privado. Mas será que a troika tem alguma coisa contra a época natalícia? Tanto quanto se sabe, não. O que se passa é que o Natal ocorre no final do ano e é também nos últimos meses do ano que se percebe que o país não vai conseguir cumprir com as metas estipuladas. Neste momento a situação é a seguinte: existe um défice e um objectivo para cumprir. O défice pode aumentar por dois motivos, ou por excesso de despesa, ou por falta de receita. Relativamente à despesa até estamos a conseguir cortar mais do que estava previsto, facto que pode ser relevante aos olhos da troika. No que concerne à receita, existe uma quebra na procura interna, mas também a conjuntura interna não é favorável. Ou seja, este ano até nos estamos a portar bem mas o cenário internacional não está a ajudar. Perante este cenário, tudo aponta para que a solução passe por angariar receitas extraordinárias para o estado. Solução que teria o condão de evitar que o país se voltasse a endividar nos mercados externos. No entanto, se o aumento de receita extraordinária for efectuado via impostos, esta medida poderá ter um efeito contraproducente contribuindo para aumentar a espiral recessiva actual. O cenário não é favorável e, é certo que, medidas adicionais vão ser tomadas. Até lá aguardamos para ver o que nos calha no sapatinho.
Pedro Nunes, Economista