Vem este título a propósito do encontro de formação que ocorreu no Funchal nos dias 7 e 8 de setembro, dirigido aos diferentes intervenientes e membros da comunidade educativa das Escolas Católicas da Região. Esta formação organizada conjuntamente pelo Departamento da Escola Católica (DEC) da Diocese e pela Associação Portuguesa de Escolas Católicas (APEC) pretendia ser um momento e uma oportunidade de reflexão sobre a especificidade do projeto educativo das Escolas Católicas, os seus Valores e a sua Missão, enunciando os mais importantes desafios que hoje lhe são colocados. Dirigida à multiplicidade de pessoas que constituem a comunidade educativa da Escola Católica, esta formação abordou diversas temáticas junto das direções (pensamento da Igreja sobre a educação, projeto educativo numa Escola Católica, avaliação de desempenho, liderança), dos professores (antropologia cristã, educação para a saúde integral, missão do professor na Escola Católica), do pessoal não docente (relações interpessoais) e dos pais e encarregados de educação (educar para a responsabilidade). Foi um momento decisivo para realçar a importância da unidade e da colaboração de todos os que estão presentes neste processo educativo, não ficando ninguém esquecido, pois todos contribuem, cada um à sua maneira e com a sua tarefa, para a concretização da missão específica da Escola Católica. Ficou claro que toda a vida da Escola Católica tem de ser animada pelos valores evangélicos, marcada por uma matriz cristã que move, perpassa e enforma não só a própria vida dos seus membros, mas procura, num projeto de serviço à sociedade, promover uma análise crítica às circunstâncias e realidades próprias do nosso tempo, numa dinâmica de transformação e transfiguração dessa mesma realidade. Nesta perspectiva, facilmente se entende que o projeto educativo da Escola Católica promove uma educação plena que exige a busca permanente de uma síntese fé-cultura-vida que tenha a arte de integrar os saberes do mundo com a sabedoria divina (uma educação cristão alicerçada no pedagogo Jesus Cristo) com vista à realização da pessoa, ao crescimento do próximo e à transformação da sociedade. Deste modo, utilizando os meios que tem ao seu dispor e adaptando-se às circunstâncias, nem sempre favoráveis, a Escola Católica continua a ser desafiada a promover a profundidade (e não a superficialidade), o dar (e não o receber), o poupar (e não o consumir), o espiritual (e não o material), o eterno (e não o efémero), o perdão (e não a vingança), o serviço (e não o poder), o nós (e não o eu), a inquietação (e não a quietação e o comodismo), a interioridade (e não a imagem exterior), o altruísmo (e não o egoísmo). Fica então claro que a Escola Católica tem de ser, antes de mais, uma escola, isto é, deve ensinar eficazmente, mas é também evidente que é o adjectivo "Católica" que lhe dá sentido e razão de ser. É este termo que dá uma qualidade adicional ao substantivo e acrescenta-lhe responsabilidade que leva a que esta Escola se transcenda e corresponda ao apelo evangelizador "Ide e ensinai". O verdadeiro desafio da Escola Católica é ser antes de mais verdadeira "escola", preservando sempre a sua identidade específica assente em Cristo e nos valores do Evangelho.

Marco Gomes