É com amargura e desilusão por um lado, e esperança por outro lado, que seguimos as eleições internas no PSD-M. Amargura e desilusão porque vemos um partido, que para além de partido está esmigalhado perante a inevitável sucessão do seu líder e que nunca será capaz de colar os cacos da governação de mais de trinta anos de autoritarismo e despotismo, que não deixou espaço para a democracia interna. Quando, pela primeira vez na História do PSD-M, é assumido um projecto de liderança alternativo, assistimos a uma reacção de ataque vil, torpe, rasteiro, do mais anti-democrático que temos visto nas últimas décadas, mesmo numa Região Autónoma onde sempre se colocou em causa o défice democrático e cultural, meio camuflado, meio descarado, mas muito anterior e incomensuravelmente maior, que o défice orçamental! Sempre vivemos numa "espécie de democracia". Mas, na realidade, "espécie de democracia" é um eufemismo para a falta de liberdade de expressão; o risco de perder o emprego; os lugares ocupados por gente do partido, por familiares de gente do partido e por amigos de familiares de gente do partido. Mas, esta meia laranja amarga e acomodada, que não deixa progredir, nem sequer quer saber o que é o profissionalismo, a competência e o mérito, tem agora uma alternativa possível: uma meia laranja com sabor democrático, que sabe gerir e governar com responsabilidade, que sabe ouvir e dialogar, que fala com respeito pelo próximo. E, quando assim é, ainda há esperança de salvar o laranjal.

Raquel Fraga, Historiadora de Arte