Óscar Teixeira Qualquer decisão sensata e justa valoriza os seus prós e contras para além de segundas intenções. Por vezes a opção é sofrida, como seja a amputação de um membro gangrenado ou um tratamento de quimioterapia, mas tão simples como escolher entre a vida e a morte. Igualmente, sem qualquer terapia para este monstro canceroso da dívida, a Câmara de Santa Cruz, já decretada em estado de falência técnica, em janeiro, entregaria a alma (a gestão) ao legislador PSD/CDS sufocada pela nova Lei dos Compromissos (Lei 8/2012) e pelas consequências drásticas previstas no OE de 2013. Quem quererá concorrer a uma câmara sem gestão? Seria uma gestão telecomandada por Lisboa, com o IMI e outros impostos e serviços sobretaxados sem renegociação, com retenções nas transferências de fundos, pondo casualmente em causa salários ou empregos. É verdade que um voto contra seria uma merecida responsabilização do PSD por este criminoso descalabro porém seria um castigo mais severo para os munícipes de Santa Cruz. Todos os vereadores sabiam o que sucederia se recusado o crédito deste Plano. Ninguém o contestou nem apresentou alternativas a não ser a fé de que alguma coisa se fará. Por isso (e isto era um dado seguro), a minha decisão respondeu tão só à minha consciência muito para além de reflexões politiqueiras. Não foi o caminho mais fácil. Confesso que seria para mim mais fácil e populista votar contra, se estivesse seguro da inconsequência do voto. Importa, também, realçar que esta dívida da Câmara é dinheiro que falta aos fornecedores em asfixia financeira que, ainda em contenção, já reivindicaram 5 milhões de juros de mora. Não foi o PSD nem a Câmara que garantiu 23,7 milhões mas sim, diretamente, um conjunto de fornecedores já elencados a nível central, injetando um balão de oxigénio na economia regional e em particular do Concelho. Estou tranquilo em consciência perante os interesses dos munícipes e por isso fico igualmente tranquilo mesmo que hoje passe por vilão e amanhã outros usufruam dos proveitos desta adesão. Finalmente, a suspensão do meu mandato não é um protesto nem uma fuga às responsabilidades. Ao me abster quis viabilizar o menor dos males. Ao suspender o mandato quis colocar-me na condição de cidadão fora de jogos e estratégias partidárias. Quis, também, promover e memorizar o debate do problema, pois a verdade é como o azeite, vem sempre ao de cima.