Como muitos da minha geração, ganhei desde cedo uma forte ligação à informática e às novas tecnologias. Depois de ter começado a "jogar computador" no ZX Spectrum 48k do meu primo, fiz o possível e o impossível para, com cerca de 10 anos, juntar o dinheiro necessário para ter a minha própria "máquina". Era um Atari, 64k, e com ele aprendi algumas bases da programação "basic", para além de ter, claro, "investido" imenso tempo no desenvolvimento dos meus "reflexos", a jogar "pac-man" ou "manic miner", entre outros sucessos da época… Depois, por volta dos 18, foi também a dar cursos de formação de MS-DOS e de Windows, que ganhei parte do necessário para estudar e manter o "mini 1000" a caminho da universidade. E na área do treino, sempre fiz questão de tentar estar na "crista da onda" no que se refere às novas tecnologias associadas ao desporto. De facto, pelas funções que fui desempenhando no desporto, tive grande necessidade de continuar actualizado a este nível. Desde os complexos sistemas para o controlo do treino, até ao desenvolvimento de software para a análise do jogo, passando pelas bases de dados de auxílio ao scouting de jogadores, estive quase sempre inevitavelmente conectado à informática. Talvez por isso, desde que surgiram as redes sociais, vinha sempre causando alguma estranheza junto dos meus amigos mais chegados quando dizia que nunca tinha utilizado, ou sequer sabia bem o que era, essa coisa do "facebook". Talvez por estar tão embrenhado noutras ferramentas informáticas, ou por uma questão de personalidade, passou-me completamente ao lado este desenvolvimento surpreendente das redes sociais nos últimos anos. Ao ponto de ter que me considerar mesmo um "facebook-excluído", espécie muito particular de "info-exclusão" que estou agora a procurar ultrapassar. Não seria obrigatório, claro, mas a verdade é que depois que saí da Madeira comecei a perceber, gradualmente, a importância das "redes" na aproximação das pessoas. E em boa hora, com a ajuda do meu filho mais velho, na altura com 9 anos, lá consegui criar há um par de meses a minha página do "facebook". Para além de voltar a estar mais próximo daqueles com quem aí convivia, devo dizer que está a ser uma óptima oportunidade de reencontrar "amigos" e relembrar momentos tão importantes da nossa trajectória. Como a foto partilhada hoje pelo Paulo, meu antigo jogador da equipa de Iniciados que treinava na época de 1994/95, a minha segunda época como treinador. Que bom foi olhar para aqueles rostos cheios de vontade em cumprir o seu sonho de "ser jogador"! De tal forma que, de repente, dei comigo a contabilizar os cinco ou seis que conseguiram chegar à difícil profissionalização no Futebol. Mas sobretudo a relembrar os nomes, os jogos, os treinos e as conversas que fizeram parte daquela que, sei-o agora, foi uma etapa tão importante na vida de um "jovem treinador". E com um sentimento de gratidão para com todos eles e a esperança de também ter conseguido contribuir em algo para o seu desenvolvimento, até cheguei a me esquecer por momentos que estava a 4000 km de distância daquele campo pelado da foto "partilhada" pelo Paulo. E que aqui na Grécia, neste mundo do futebol de alta competição, outros valores "se levantam", bem distintos dos daquela altura. É que, por exemplo hoje, no jogo com o Atromitos para a 5º jornada, só um dado muito objectivo pode trazer uma imagem positiva ao nosso trabalho: alcançar a quinta vitória consecutiva na Super Liga Grega e continuar na liderança do campeonato! Um abraço desde a Grécia
Nelson Caldeira, Treinador