A Cota 500, obra em Santo António e zonas altas do Funchal, orçamentada em 300 milhões de euros, é já um ícone do despesismo, pois não foi ponderado o seu custo-benefício. Foi umas despesa agora transformada em dívida, que todos nós pagaremos com impostos e cortes sociais. Uma lição de economia que aprendemos à custa da má governação. Mas os maus exemplos não acabam aqui e, na saúde, são muitos. Repare-se na concentração dos exames no sector público, exotismo só existente na Madeira, quando a própria Troika aconselha a salutar concorrência de forma a poupar recursos. Quem acredita, nos dias de hoje, que só os serviços do Estado serão melhores e mais baratos? O SESARAM nem pode trocar de fornecedores pois as máquinas das análises não são suas, são sim disponibilizadas por uma empresa, que o obriga a usar unicamente os Kit´s que disponibiliza, aos seus preços, de resto já inflacionados pelos juros de anos de dívidas por pagar. Mais, quando os gestores públicos são-no, na prática também, das clínicas privadas, ao ponto de, nas reuniões, trocarem habitualmente de papéis, compreende-se a razão pela qual a Administração do Hospital não quer um hospital novo pois, para um doente ter enfermarias climatizadas, com WC e privacidade, terá necessariamente de ir para uma clínica. Não basta parecer sério, é fundamental sê-lo de facto! Como se pode continuar a desprezar o trabalho de uns, quando se mantém as mordomias de outros? Refiro-me aos enfermeiros, sem contratações desde 2008 e, muitos deles agora despedidos, como que condenados pelo passado de alguns administradores que acreditam que estes profissionais servem unicamente para colher análises e fazer pensos. Só este ano, mais 50 enfermeiros madeirenses emigraram para trabalhar nas terras de Sua Majestade, que não gastou uma única libra na sua formação. Ao mesmo tempo, alguns funcionários, obviamente ligados ao poder, mantém remunerações milionárias, contrapondo com a incapacidade do hospital captar e manter os jovens médicos mais talentosos e dedicados, especialmente em especialidades carenciadas como a Anestesia. Estaremos condenados a ter cuidados de saúde de segunda, com as piores lista de espera do país, sem opção de escolha e condenados a estes dois velhos hospitais? Por enquanto sim, pois infelizmente quem nos governa fez más opções, escolheu mal os gestores e não tem a humildade de o corrigir. No entanto, felizmente, os madeirenses começam a perceber isto e corrigirão quando chamados a se pronunciar.

Mário Pereira, Deputado do CDS-PP