O que mais assusta qualquer decisor político é a manifestação espontânea dos eleitores. As manifestações de 15 e 21 de Setembro foram diferentes de todas as anteriores e talvez as maiores realizadas em Portugal desde o 25 de Abril. E a principal diferença é que desta vez se tratou de um manifesto inorgânico. Isto é, não foi organizado nem dependeu de nenhuma organização sindical, política ou associativa. Foi a expressão e sentir da população no estado mais puro. Não teve palco, nem discursos, nem comícios. Numa palavra; o povo saiu à rua. Duas lições nos ficaram. Em primeiro lugar a convocatória através das redes sociais: gratuitas, de fácil acesso, de rápida expansão e socialmente transversais. E neste ponto alguns "media" tradicionais têm de perceber que o Mundo mudou. O segundo ponto a reter é que a Economia não pertence apenas a estudiosos, gestores ou ministros das Finanças. Todas as famílias têm um orçamento para gerir, com custos fixos, margens, dívidas a "fornecedores", receitas, débitos, recurso ao crédito… tal como o Estado. Se em cada Estado existe um orçamento, em cada família existe também um orçamento, cuja execução orçamental se realiza todos os meses. E com as despesas das famílias a aumentarem e as receitas a baixar, o Estado tenta corrigir num par de semestres erros políticos e económicos de décadas. A manifestação mostrou que eleitores exigentes levam governos a ponderar as decisões de política económica, até porque hoje não existe mais margem para os erros do passado. [email protected]

Luís Sena Lino, Consultor de Marketing e Comunicação