José Manuel Abreu da Silva O processo em que decorre a preparação do próximo congresso do PSD-M e eleição do seu presidente traz ao de cima os conceitos intragáveis de cidadania e de democracia do ainda, assim espero, seu líder. Com efeito, o tratamento com que brinda o seu concorrente é, deveras, e, no mínimo, execrável, tratando-o como se fosse um inimigo perigoso, usando uma linguagem exacerbada, mais adequada à ralé bêbeda e zaragateira, à porta da tasca, sem qualquer decoro pelo lugar que ocupa de presidente de governo e membro do Conselho de Estado, nem tomando em conta a influência em terceiros. Não sou militante ou simpatizante social-democrata, embora considere a sua importância na democracia. Choca-me e, julgo que também a muitos cidadãos, eleitores ou não desse partido, assistir ao espectáculo degradante da vivência democrática, da ética e da política, em nome apenas do interesse de um projecto pessoal ditatorial e de grupo que há anos suga a "mamadeira" num clima persecutório e de coacção. Mas, o processo atinge o auge do paroxismo quando os que se guindaram nos cargos públicos que ele lhes proporcionou, seguem a ordem de apelar para que os militantes votem no homem e na sua obra, ignorando que se trata de um lugar com repercussões públicas, razão suficiente para que os apelos devessem assentar em projecto político claro e inequívoco, que rompa com o passado. Afinal o que deve o povo (que padece pela carestia de vida) agradecer: subida do IVA, desemprego, menor protecção social na saúde e ensino, corte nos salários e subsídios, perda de benefícios em IRS, entre outros, que a loucura megalómana da construção e o apoio aos clubes profissionais e ao seu jornal acarretaram, enquanto acumula ordenado e reforma? Ele fala e age como se não tivesse qualquer responsabilidade nas dificuldades que os madeirenses hoje sofrem. Ele, que se comporta como o feiticeiro da tribo, tem soluções para as políticas de outros que classifica de erradas no mundo e no país e tudo previu. Só não previu nem sabe como sair da que criou e que alimenta com comportamentos públicos grotescos e alarves, que oscilam entre o cinismo da desresponsabilização que atribui a terceiros e a paranóia pseudo vanguardista. Curioso também, não posso deixar de o mencionar, é o facto de alguns, que sobrevivem à sombra do poder e que alcançaram posições que lhes permite uma vida desafogada. Possuem cursos superiores e que frequentaram em série conferências e cursos de pós-graduação. Deveriam constituir a massa crítica do regime, porém, alinham sem dignidade, por omissão ou crença, no deboche e regabofe de quem perdeu o discernimento e já não está em condições de tomar decisões sérias e credíveis, que assegurem um futuro de bem estar aos cidadãos, em democracia, cidadania e autonomia. Não tenho a ilusão de que a mudança de liderança trará um novo futuro, já que o opositor nunca se demarcou publicamente sobre décadas de despesismo de novo-rico e atropelos à democracia. Mas, acredito que mudará o estilo e, isso, só por si é importante para uma nova vivência democrática e autonómica. Tenham os militantes do PSD-M a coragem necessária de efectuar as mudanças que se impõem, de modo a que não sejam também responsabilizados pelo rumo ruinoso de quem dirige esta nau errante, a Madeira. Por mim, digo-o sem rodeios aos que cá e lá alimentam a crise com medidas intoleráveis, como se os cidadãos tivessem de ser punidos severamente. Raios os partam! Eles e os que neles votaram que paguem a crise.