Não acredito em governos, instituições ou em povo em crise. Parece que o indeterminado, o abstracto quase se assemelhando ao metafísico não tem rosto. Esta indefinição só serve e dá jeito a quem não quer ser envolvido nomeado ou responsabilizado! Acredito sim, e tenho a certeza com convição, que as asneiras, as irresponsabilidades e as incompetências têm dono e têm rosto. Tenho fé e esperança que a responsabilidade dos actos que conduziram a este nível de desagrado, de incerteza, de infelicidade tenha culpados e sejam identificados. Não quero ver ninguém imolado, nem privado da sua liberdade, nem alimento sentimentos de vingança. Mas quero ver a responsabilidade dos atos, e mais, afirmo que todas as decisões têm rosto, têm dono, e por isso há culpados e devemos reconhecê-los! São pessoas! Existem sempre pessoas que agem, que estão por detrás das ordens, que manipulam, que se distraíram em relação às prioridades, que vagueiam na impunidade de uma justiça que parece não existir. Eu quero saber, e também gostava de me dirigir a essas pessoas, sem a cobertura do indefinido e a capa das instituições, e exigir que se retratem, que confessem, e exigir que se retirem do cenário da ação. A penalização é de se retirarem, sem terem direito a opinar, porque estou farto da culpa ser sempre dos outros, de morrer órfã, e de ser ultrapassada pela leviandade de uma prática tornada normal. Vamos chamar às pessoas, os seus nomes próprios, deixando os apelidos de fora, porque muitos deles não honraram as suas raízes, a dos seus progenitores. Fomentar esta atitude, é ser mais digno, mais respeitoso, mais condizente por um rigor que todos ambicionam, e o tratamento mais objetivo, mais direto da responsabilidade de todos. Nomes próprios às pessoas, para ajudar esta sociedade e aos outros, na crise das pessoas! PS: No desporto a crise foi também das pessoas e provavelmente os menos culpados foram os agentes desportivos!
Rui Mâncio Caires, Director Técnico da AFM