É óbvia a dificuldade de comunicação entre o Primeiro-ministro e os portugueses. São evidentes as falhas no conteúdo e na forma da sua mensagem política. Também é óbvio que não são possíveis mais medidas de austeridade sobre as famílias, muito menos com implicação direta no rendimento líquido dos que ganham salários mínimos. E nesta quase anárquica estratégia comunicacional surge PP. Oportunamente impõe a sua imagem sobre a governação, pela diplomacia externa, de dimensão económica, protagonizando-se alavancador de potenciais mercados de exportação ou negociação. Surge, lá fora, e estrategicamente, por entre empresários e diplomatas a liderar o governo. Cá dentro, a sua ação governativa é discreta, raramente beliscada pelas decisões difíceis, criando espaços para que o seu partido passe por entre os "pingos da chuva". Nunca está na hora de anunciar ao país medidas difíceis. À primeira grande dificuldade abrigou-se num silêncio governativo gritante, para depois, em sede de espaço partidário, mostrar publicamente a sua discordância. Assim, feriu de morte a confiança na maioria parlamentar e liderou a oposição ao governo que integra. Nem a alteração à lei eleitoral autárquica deixou passar, para não perder os vereadores! Lembram-se?! Tudo poderá ficar como está, mas nada mais será como dantes. A coligação foi atingida, a confiança dos portugueses na maioria abalada. Por ironia, todos caíram nas intenções de voto, mesmo os que submergiram na agitação das águas. Fica a lição para os que por estes lados advogam alianças semelhantes no futuro.

Nuno Maciel, Professor