Guido Gomes Subitamente, José Manuel Rodrigues decidiu pelo retorno a casa, à Madeira bem entendido - de onde havia saído para, segundo ele, melhor defender os interesses do arquipélago no parlamento nacional. Nada de extraordinário, afinal a boa vontade dos homens e mulheres que decidem abraçar a actividade política exige que se disponibilizem para lutar em qualquer geografia… Mas já esta mudança repentina, a pretexto de que afinal tais interesses serão melhor defendidos no parlamento da Madeira, merece todas as suspeitas e preocupações de qualquer cidadão atento. Pois o que sucedeu a este exemplar deputado, que tanto tempo depois de ter estado em Lisboa a "defender" a Madeira, aprovando inúmeras medidas nefastas - e tão por cá notadas que dispensam aqui qualquer referência -, para agora se decidir por cá? Terá dado por alcançados os desígnios da cartilha neoliberal que por lá andou a promover, pretendendo agora importá-la para a Madeira como solução para a ruina a que o seu parceiro ideológico Alberto João nos sujeitou? Obviamente que não, pois já nem José Manuel Rodrigues se acredita numa vírgula do que aprovou juntamente com os seus aliados da sociedade por quotas CDS&PPD-Madeira. Do que se trata é de uma certa cobardia política seguida de refúgio insular. Rodrigues percebeu que Portugal detesta o governo da República e respectiva coligação. Sabe que os erros foram muitos, que foi cúmplice e que o País não perdoará; que daqui para a frente a coligação será punida pelo Povo, e é dessa punição que ele tem medo, usando o parlamento regional como refúgio. Mas medo também temos nós. E é de José Manuel Rodrigues. Tememos do que virá defender no parlamento madeirense. Tememos que faça ainda mais mal cá do que em Lisboa. Se vier fingir que se opõe à selvajaria do governo de Alberto João, incansável na protecção das suas vastas e insaciáveis clientelas, então Rodrigues que se deixe ficar por lá.