Integrar a 'nova' Comissão Política de Jardim, permanecer fiel a Miguel Albuquerque ou optar por desviar-se dos pingos da chuva: qualquer que seja a saída de Bruno Pereira para este dilema, ela terá sempre consequências Em cima da mesa do actual vice-presidente da Câmara Municipal do Funchal deve estar um impresso enviado pelo PSD-Madeira. Na Rua dos Netos, por imposição da Quinta Vigia, a pressão é mais do que muita para que Bruno Pereira concorde em integrar a ‘nova’ Comissão Política de Jardim. Por enquanto, tudo não passa de um ‘não problema’ para o actual n.º 2 de Miguel Albuquerque e potencial candidato à sua substituição. Compromissos no exterior têm colocado Bruno Pereira há duas semanas consecutivas fora da Câmara Municipal do Funchal. Mas um dia destes terá mesmo de voltar ao seu gabinete e decidir o que fazer com aquele impresso. Antes do dia 12 de Outubro. Se Bruno Pereira decidir integrar a lista de Jardim contra Miguel Albuquerque, é mais do que natural que não possa continuar a ser o n.º 2 na autarquia funchalense. Seria a mesma coisa que João Cunha e Silva, formalmente ainda o n.º 2 de Jardim, aceitasse integrar a lista de Albuquerque; com toda a naturalidade, seria imediatamente corrido da vice-presidência do Governo. Neste caso, se tivermos Bruno Pereira a alinhar com Jardim, muito provavelmente vê-lo-íamos a abandonar o seu cargo na CMF, ou, no limite, a aparecer unicamente nas reuniões do executivo camarário à quinta-feira. Ao mesmo tempo, Albuquerque e a sua equipa começariam a promover outra candidatura às Autárquicas de 2014 no Funchal, nem que fosse em lista independente. No cenário oposto, em que Bruno Pereira continuaria ao lado de Albuquerque, eventualmente integrando até a sua lista alternativa à Comissão Política do PSD, teria de preparar-se imediatamente para a retirada de confiança de Jardim – pela segunda vez, este ano, já que Sérgio Marques foi a sua primeira opção para a CMF. Para além de voltar a deixar de ser o candidato do actual líder do PSD, passaria também a ser “mais um que enriqueceu com a política”, que é como Jardim trata os que acompanham Albuquerque, esquecendo os ricos que não lhe largam as pernas. Resta a Bruno Pereira tentar escapar entre os pingos da chuva, sem formalizar apoio nem a um nem a outro. Seria a posição pessoal mais confortável e comodista, mas pouco compatível com os políticos de quem se espera determinação e sinais de confiança num futuro melhor. Bruno Pereira tem este dilema delicado para resolver. Neste momento, ninguém tem razões para desconfiar da sua sensatez e da sua capacidade de decisão. Mas lá que é um grande berbicacho, lá isso é...
Integrar a 'nova' Comissão Política de Jardim, permanecer fiel a Miguel Albuquerque ou optar por desviar-se dos pingos da chuva: qualquer que seja a saída de Bruno Pereira para este dilema, ela terá sempre consequências
Em cima da mesa do actual vice-presidente da Câmara Municipal do Funchal deve estar um impresso enviado pelo PSD-Madeira. Na Rua dos Netos, por imposição da Quinta Vigia, a pressão é mais do que muita para que Bruno Pereira concorde em integrar a ‘nova’ Comissão Política de Jardim. Por enquanto, tudo não passa de um ‘não problema’ para o actual n.º 2 de Miguel Albuquerque e potencial candidato à sua substituição. Compromissos no exterior têm colocado Bruno Pereira há duas semanas consecutivas fora da Câmara Municipal do Funchal. Mas um dia destes terá mesmo de voltar ao seu gabinete e decidir o que fazer com aquele impresso. Antes do dia 12 de Outubro. Se Bruno Pereira decidir integrar a lista de Jardim contra Miguel Albuquerque, é mais do que natural que não possa continuar a ser o n.º 2 na autarquia funchalense. Seria a mesma coisa que João Cunha e Silva, formalmente ainda o n.º 2 de Jardim, aceitasse integrar a lista de Albuquerque; com toda a naturalidade, seria imediatamente corrido da vice-presidência do Governo. Neste caso, se tivermos Bruno Pereira a alinhar com Jardim, muito provavelmente vê-lo-íamos a abandonar o seu cargo na CMF, ou, no limite, a aparecer unicamente nas reuniões do executivo camarário à quinta-feira. Ao mesmo tempo, Albuquerque e a sua equipa começariam a promover outra candidatura às Autárquicas de 2014 no Funchal, nem que fosse em lista independente. No cenário oposto, em que Bruno Pereira continuaria ao lado de Albuquerque, eventualmente integrando até a sua lista alternativa à Comissão Política do PSD, teria de preparar-se imediatamente para a retirada de confiança de Jardim – pela segunda vez, este ano, já que Sérgio Marques foi a sua primeira opção para a CMF. Para além de voltar a deixar de ser o candidato do actual líder do PSD, passaria também a ser “mais um que enriqueceu com a política”, que é como Jardim trata os que acompanham Albuquerque, esquecendo os ricos que não lhe largam as pernas. Resta a Bruno Pereira tentar escapar entre os pingos da chuva, sem formalizar apoio nem a um nem a outro. Seria a posição pessoal mais confortável e comodista, mas pouco compatível com os políticos de quem se espera determinação e sinais de confiança num futuro melhor. Bruno Pereira tem este dilema delicado para resolver. Neste momento, ninguém tem razões para desconfiar da sua sensatez e da sua capacidade de decisão. Mas lá que é um grande berbicacho, lá isso é...