A propósito do comunicado do Conselho de Estado, disse o Dr. Alberto João Jardim: "(...) Foi um sinal de esperança", simplesmente porque "o povo não pode ser mais sacrificado". Havia que "(...) parar com coisas que estavam mal (…)". Declarações, no Santo da Serra, que considero não terem sido consequência da sidra. Vamos lá por partes: um "sinal de esperança"? Mas onde é que o presidente vê esperança, a partir da anulação da TSU que, com toda a certeza, será substituída por outras medidas de equivalente roubo? Esperança para quem? Para os madeirenses? Que esperança pode existir para este povo que, por exclusiva culpa de quem o governou durante 36 anos, se vê completamente triturado pela degradação económica, financeira, social e cultural? É a anulação da TSU que abrirá uma janela de esperança aos aflitos empresários e aos 23.000 desempregados que os sucessivos governos PSD produziram? E se falasse de sidra e deixasse os disparates? Mais: "o povo não pode ser mais sacrificado". Essa é boa! Quem o conduziu ao altar do sacrifício? Quem é que determinou a política económica e educativa? Quem é que apostou, prioritariamente, no cimento e no alcatrão e não no conhecimento gerador de desenvolvimento? Quem apostou, sistematicamente, no controlo da sociedade através da subsidiodependência associativa e não só? E se falasse de sidra e deixasse os disparates? Mais: "parar com coisas que estavam mal (...)". Essa é boa! Com tanta obra (muito "obra" o senhor presidente!), pública e notoriamente, considerada desfasada das necessidades e da realidade conjuntural da Região, com que lata fala de "coisas que estavam mal"? O Conselho de Estado sugeriu travar a obra no aterro em função da miséria que por aí vai? Será por falta de um espelhinho que o leva a produzir declarações daquelas? Se é, há sempre ao virar da esquina uma loja chinesa. Faça o favor.

André Escórcio