O tempo mudou e com a queda das primeiras chuvas e folhas guarda-se o que marcou o Verão, as noites longas, as músicas que não nos dão descanso, a toalha de praia e os calções de banho. Mas também os fenómenos típicos da estação quente. Escolhi alguns, na certeza que outros aqui não abordados são tão ou bem mais brilhantes ou intrigantes. Por isso, disponha e acrescente-os à lista, no espaço reservado aos comentários.
Parque de Santa Catarina – Nunca tantos madeirenses por lá passaram e tentaram ser felizes, noite dentro. Mesmo assim, há quem o queira fechado à multidão, aos eventos e à diversão. Como se a causa de flores murchas ou da relva seca fosse o povo. Como se uma ou outra asneira devidamente anotada e multada fosse passível de generalização. Como se fossemos tolos. São muitos anos de fundamentalismo político, mas também ambientalista, que em vez de educar para a sã convivência entre o homem e a natureza geriu os espaços públicos como quintais ou quintas. Não admira que a vizinhança vigilante prepare descanso forçado às araras e aos patos.
Mosquitos – Instalaram-se em Santa Luzia, mas já conquistaram a ilha. O problema é grave e de saúde pública, depois de milhares de euros gastos em estudos, campanhas de prevenção e substâncias alegadamente exterminadoras. E agora que outros milhares são gastos em consultas, antibióticos, repelentes e pomadas, importa perguntar: quem é que desde 2005 anda a ganhar com as picadas do 'Aedes Aegypti'?
Peros da Ponta de Pargo – Merecem uma candidatura a património mundial da UNESCO. Não é que resistiram aos incêndios, à bicharada e às bocas ávidas de acidez. Por isso, chegaram reluzentes à festa que correu o risco de mudar de nome. Bem podia ser da compota, da marmelada ou da maçã assada, hipóteses equacionadas até que alguém se lembrou de colmatar a fraca produção com umas idas aos supermercados onde não faltam peros de outras pontas de França e Espanha. Avisaram-me para não tocar nisto pois poderia ser entendido como mais uma “declaração de guerra” ao festeiro da fruta. Logo eu, que espero receber em breve convocatórias para eventos em torno da pitanga, da noz, do morango, do tabaibo e do araçal!!!
Festivais – Uma palavra para quem organizou e marcou presença, sobretudo os que investiram de modo a proporcionar aos madeirenses momentos únicos e divertidos. Coragem para futuras iniciativas! Das várias propostas ficou uma lição: as melhores parcerias fazem a diferença. A qualidade do cartaz e a adesão do público viram-se sempre que houve união de esforços e vontades.
Vaias, manifestações & grafittis – O povo está disponível para lutar pelos direitos consagrados na Constituição. Mas nada de abusos. Nem de alvos muito próximos.
Incêndios – Já há erva a renascer das cinzas, algumas casas reconstruídas, mas quanto à responsabilização da desgraça, nada. Suspeita-se que um dia possa haver justiça nesta terra queimada.
D. António Carrilho – Voltou a pedir as chaves da paróquia da Ribeira Seca a Martins Júnior, 'homem de causas' com quem devia ter celebrado as bodas de ouro sacerdotais. Bastava que fosse inteligente em vez de calculista, homem em vez de beato, honesto em vez de conveniente. Atirou-se ainda à televisão madeirense por não transmitir a missa do Monte, mas calou-se perante atentados à dignidade dos cristãos, ao permitir enxovalhos públicos aos padres no 'JM', o tal que recebe anualmente três milhões de euros do Governo. Perdido entre o poder, até foi cúmplice de novo caso na sacristia mais famosa da Diocese. Temos bispo, mas à xadrez!
Jaime Ramos – Mostrou-se claramente como um perigo para a Autonomia. Primeiro, ao classificar a praça madeirense de 'offshore', sem ser chamado atenção por quem tutela a Zona Franca ou por quem devia zelar pelo bom nome da mesma. Depois, fez publicar um comunicado no jornal que ataca ferozmente a Comissão Nacional de Eleições, cometendo a proeza de extrair de uma deliberação polémica apenas aquilo que dizia respeito ao DIÁRIO, omitindo deliberamente as considerações sobre o 'JM'. De lapso em lapso se ergue um universo eloquente, não importa como.
Rui Alves – Não se sabe onde anda depois de ameaçar detonar as ambições políticas de dois autarcas do Funchal. Estará à procura de pólvora ou de reforços capazes de não desiludir quem ouviu promessas de um Nacional Europeu?
Belmiro de Azevedo – O patrão do 'Continente' quer ver, e bem, a malta a consumir nos seus hipermercados. O problema é que há dias, em hora de grande afluência, em que se demora uma eternidade para pagar. Tudo porque uma caixa em cada duas está fechada. Contava com outra deferência da sua parte sr. engenheiro, agora que se sabe que Passos até vai deixar cair a TSU, como tanto pediu!
Conceição Estudante – Será que já regressou de férias? Não é por nada. Temos saudades das suas tiradas mediáticas e queremos saber umas quantas verdades. Em que consiste a promoção da Madeira quando o Marítimo for jogar a Bruges, Newcastle e Bordéus, se é que vai haver e já está delineada? Qual o ponto da situação do caso 'Strawberry', sem ser aquela parte relativa à queixinha contra o DIÁRIO enviada para a ERC? Quem é que autorizou, a que preço e em que condições a cedência do palco do Turismo, pintado à pressa para surgir disfarçado na festa do PSD-M? Qual a posição da Madeira no sensível e preocupante sector dos transportes aéreos quando se constata que as companhias interessadas na privatização da TAP são asiáticas?...Está a ver o que lhe espera.
Miguel de Sousa – Inaugurou um expediente que vai fazer furor na era do correio electrónico e do Facebook e se calhar vai safar financeiramente os Correios. Fê-lo por uma causa nobre, de evitar que os madeirenses fiquem sem chão, à espera de carta da chamada. Mandar cartas está na moda. E quem o fizer por bem tem carta branca. O CDS também já mandou. O PS se calhar também vai mandar. O PCP vai garantir que não manda até ver e o PND assumirá que prefere entregas em mão, mas de cheques e não de missivas. Não faça por menos. Mande cartas também... para as cartas do leitor e porque não para a singular 'coluna do cidadão'.
Mara & Petra – As madeirenses foram vistas por quase dois milhões portugueses no dia em que entraram na 'Casa dos Segredos', a tal que muitos dizem não ver, mas que já vai na terceira edição. Ninguém se lembra das conterrâneas terem dito algo que vá mudar o mundo ou descoberto a solução para salvaguardar o futuro da humanidade. O certo é que se sujeitaram a serem vistas noite e dia e talvez por tal até invejadas, quem sabe por outros com espaço garantido na televisão nacional, mas que nunca tiveram tamanha audiência. A vida de vedeta é ingrata…