Infelizmente, sinto necessidade de escrever sobre o desemprego. Para além da frieza dos números, preocupa-me a situação das pessoas, famílias, jovens, menos jovens e crianças. Portugal tem hoje uma população acima dos 10,5 Milhões de pessoas. A sua população activa é cerca de 53%, ou seja, 5,6 Milhões de pessoas. O número de desempregados chegou às 900 mil pessoas, ou seja, quase 16% da população activa. Estamos quase no número, incrivelmente triste, de 1 Milhão de desempregados. A Região Autónoma da Madeira apresenta o terceiro maior número de desempregados do país, com 16,8% de taxa de desemprego e um número de 22.321 desempregados. A Região de Lisboa tem 17,6% e o Algarve 17,4%. Estes números continuarão a crescer. A taxa de desemprego jovem é de 45%. Cresceu, só no último ano, 21,2%. Se considerarmos a idade activa entre os 24 anos e os 65 anos de idade, que retirados quase 1 Milhão de pessoas desempregadas, temos 44% da população portuguesa (4,6 Milhões de pessoas), a trabalhar para "aguentar" 26% de população jovem (até aos 23 anos), e 14% de população menos jovem (idades acima dos 65 anos). Ou seja, temos cerca de 4,6 Milhões de pessoas a trabalhar para 56% da população: 5,8 Milhões de pessoas. Agora dá para perceber a importância da TSU… Continuo é sem perceber, como é que a nossa classe política ainda não percebeu isto? Podem arranjar as mais diversas teorias económicas, mas a verdade é que continuamos a ver famílias completamente arruinadas, sem rendimentos, crianças à fome, sem escola… Incrível ainda, como é que os trabalhadores a recibos verdes não têm direito a desemprego. Para além da situação precária são ainda os que mais descontam para a Segurança Social, com uma taxa perto dos 30%… Em que raio de país vivemos? Será que se alguma (muita) classe política começasse a ficar sem ordenados, sem rendimentos, sem dinheiro para dar de comer aos filhos, sem direito a escolas, este problema ficaria resolvido? Será esta a solução? Ainda falam em mais investimento público sem sequer terem pago o que está feito e que se o fizessem, muitas empresas não estariam como estão nem com tantos desempregados? Façam uma pausa, parem para pensar no país real que temos e nas verdadeiras dificuldades do povo e depois digam se merecem estar em determinados cargos públicos e políticos.
Pedro Calado, Vereador na CMF