João Freitas O Professor Daniel Bessa, num seu artigo, expressava que a partir da viragem do milénio (ano 2000), fosse em consumo ou investimento, o nosso país absorvia, anualmente, mais 10% do que produzia. "Este excesso de absorção interno provocou um endividamento externo muito elevado (2 milhões de Euros por hora, em cada uma das 24 horas dos 365 dias do ano)" (Expresso, 11 Ago). Ângelo Correia na sua explicação da necessidade da redução da actividade da construção e obras públicas, que atingiram, no país, cerca de 13% do PIB, invocou como justificação as estradas sem tráfego e as casas desocupadas. (Sic Notícias, 21-22h, 21 Ago) Daniel Bessa, citando um seu amigo espanhol, escreveu: "de como foi possível gastar o que não tínhamos na aquisição do que não necessitávamos" (Exp., 25 Ago). Nicolau Santos, num seu artigo, "O medo que trouxe dinheiro para cá", exemplificou sobre o desequilíbrio e injustiça do nosso sistema fiscal. Ele referiu-se aos 3,4 mil milhões de Euros colocados pelas elites nacionais, na Suíça, e que devido a um acordo de troca de informações com aquele país, possibilitou ao Estado português cobrar 258,4 milhões de Euros, uma taxa de 7,5% sobre aquele valor. Em contraste a este facto demonstrou que a nossa classe média tem de entregar ao estado, de impostos directos (43,5+3,5) e indirectos (Iva), cerca de 70% dos seus rendimentos. Ele concluiu "que isto é uma prova de que a financeirização da economia mundial é profundamente lesiva da produção e do trabalho. E que este modelo é errado e injusto, pauperizando a classe média e criando sociedades cada vez mais violentamente desiguais" (Exp. 11 Ago). Perante esta amplitude, de endividamento, impostos, austeridade continua, que tipo de sobrevivência e sociedade estão modelando o país?