«Vira a tua vida de pernas para o ar». «Se não tens pais ricos, ou não ganhaste a lotaria e queres casa, vem ao Banco ». Compra a mobília, o carro e passa férias nas Caraíbas! Os apelos persuasivos convenceram os jovens do sonho de ter o seu T2. Na década de 90 foram construídos mais de um milhão de fogos novos em Portugal, ou seja o dobro da Espanha / França e o triplo da Itália. Temos uma excessiva produção nova , para além das necessidades, e ninguém sabe o que fazer destes prédios, mas há pessoas sem casa. A reduzida taxa de reabilitação de habitação antiga e ou com caracter histórico, traduz-se em cidades com gente idosa e casas sem segurança. Há prédios antigos e abandonados não vendidos por razões especulativas. Na UE, 45 a 50% do investimento é na reabilitação mas, em Portugal não atinge 10%. Quanto ao arrendamento, na UE as taxas são de 20% na Dinamarca, Áustria, Inglaterra e Suécia, 17 a 18 % na França e na Irlanda , na Holanda de 35% e Portugal fica pelos 5%. A política do Estado nos últimos anos foi de crédito ao serviço do grande capital, aumentando a dívida privada para valores incomportáveis. Em 1979, 7,9% do crédito era de particulares, em 2006 atingiu 46,2 %. O nível de endividamento das famílias é de cerca de 120%. As empresas de Construção passaram de 15 mil em 1990 para 50 mil em 2002 e o número de trabalhadores de 23 mil para 400 mil. Hoje a cada hora que passa, 90 trabalhadores vão para o desemprego. Sobre a habitação incide uma vasta panóplia de impostos: IMT , IMI, taxas de esgotos , IRS e até do IVA. As Finanças vendem por dia mais de 90 casas penhoradas. O CDS / PSD recuaram na ideia da entrega das casas à banca para saldar a dívida, projecto que visava as famílias com dificuldades. Com o desemprego, ou o divórcio, todos os dias centenas de casas são entregues aos bancos, ficando ainda a dívida por pagar e o sonho do t2 transformou-se num pesadelo.

Dírio Ramos, Vereador do PCP na CMF