Recentemente li uma entrevista do responsável pelas Sociedades de Desenvolvimento da Região que, questionado sobre a existência de possíveis "Elefantes Brancos", comentou um importante projeto de um nome maior da Arquitetura: o Centro Cultural Internacional Óscar Niemeyer inaugurado nas Astúrias, Espanha. Nesta comparação mencionou o facto de estar sem programação há mais de um ano e meio e se seria essa a razão para a classificação de "Elefante Branco". Naturalmente que esta resposta pretendia comparar com a situação atual da programação das Artes Plásticas na Casa das Mudas. No entanto, e sendo verdade, não podemos comparar o projeto de Niemeyer, pois este funciona como uma das obras de Andy Warhol, a "Caixa de sabão Brillo" que ao ser eleva a objeto artístico, deu uma grande visibilidade e transformou-a num objecto de valor incalculável. Mas nisto tudo o mais absurdo da comparação está no facto de não falarmos do número de visitantes que neste momento deslocam-se às Astúrias para conhecer o projeto de Óscar Niemeyer ( de 26 de Março a 26 de Junho de 2011 foram cerca de 400 mil visitantes) e analisar a estratégia e funcionalidade de todas as componentes deste pólo de atração cultural, sendo o único Centro no Mundo a austentar o nome do prestigiado Arquiteto ( hoje com 104 anos), por ter uma atividade de serviços educativos dinâmica, um restaurante bem localizado com vista panorâmica sobre a cidade, uma extensa praça, tudo isto gerador de receitas financeiras que virão com certeza trazer o retorno do investimento. Resumindo, um bom gestor não deve comparar suas empresas com o que de menos bom as outras fazem, mas sim competir com o que de melhor essas produzem e com o que de melhor têm para oferecer.
Luís Guilherme Nóbrega, Professor