Que o turismo é a principal fonte de rendimento da Madeira ninguém duvida. Penso que a grande maioria concordará também quando digo que este é, a prazo, a única actividade sustentável. Não tenho dúvidas também em afirmar que, em termos gerais, os trabalhadores que exercem a sua profissão nesta área não são particularmente bem remunerados. Poder-se-á argumentar que os níveis de formação exigidos pelo sector são mais baixos que os da generalidade das outras profissões, ou que estes salários baixos são a única maneira de manter o sector rentável e competitivo. A verdade é que o padrão de salários baixos e poucos incentivos a formação leva à desmotivação da generalidade dos trabalhadores, que vêm a sua passagem pelo turismo como uma parte do percurso para outro local. Há umas semanas tive conhecimento que um hotel estava a "oferecer" estágios não remunerados de 18 meses, sem os quais nem valia a pena concorrer a um lugar no quadro. Isto quer dizer que um hotel explora o trabalhador ao longo de um ano e meio, após o que decidirá sobre se o integrará - ou não - nos quadros. Para além de salários baixos - ou inexistentes - também há salários em atraso, e empresas a encerrar, apara além de empresas que, não estando fechadas, deviam estar. Porque prestam um mau serviço ao destino, e aos seus trabalhadores. Qualificar o destina passa, necessariamente, pela valorização dos profissionais que nele trabalham, e que transformam este num local aprazível, ou em apenas mais um destino. Afinal, não faz sentido que a quase metade dos trabalhadores na Madeira gerem apenas 30% do rendimento da ilha.

Roberto Loja