Pelo menos cinco destacados dirigentes social-democratas madeirenses abordaram publicamente nos últimos dias a importância vital do Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM). Fizeram-no convictos de que o instrumento de desenvolvimento várias vezes comprometido e ameaçado é o único capaz da fazer a diferença num cenário de miséria decretada. Mas não só. Foi também notória a reles tentativa de aproveitamento de iniciativas específicas ou devidamente enquadradas. Por isso, para não perderem uns para os outros, até porque o tempo é de contagem de espingardas rumo às directas e ao congresso, decidiram-se por uma catarse que visa esbater protagonismos, opção patente na conclusão do Conselho Regional que "pede ao Governo central para, de uma vez por todas, esclarecer o que se passa com a Zona Franca da Madeira e a desvendar todos os misteriosos obstáculos e contrariedades que parecem estar subjacentes às repetidas dificuldades que existem no eixo Lisboa-Bruxelas, no que a este processo diz respeito". Talvez tenham acordado todos tarde, após um sem-número de oportunidades perdidas de luta séria e de negociações consequentes. Seja como for, em contextos diversos, Miguel de Sousa, Cunha e Silva, Alberto João Jardim, Nuno Teixeira e Jaime Ramos pediram um CINM competitivo, capaz de garantir futuro, qualidade vida, emprego qualificado e verbas necessárias ao investimento e ao pagamento das dívidas. Muitos outros poderiam seguir-lhes o exemplo. Palco não lhes falta, sobretudo na Assembleia na República, onde tudo se decide e define em Orçamento de Estado e por onde passam com frequência Passos Coelho e Victor Gaspar, sempre disponíveis para responder aos deputados interessados no futuro de quem os elegeu. Será que os ocupadíssimos Guilherme Silva e restantes companheiros estão à espera que seja um deputado social-democrata transmontano a fazer a defesa permanente da praça madeirense? Ou será que o PSD tem vergonha de si próprio, de não ter aprendido nada com sessões à porta fechada sobre o CINM, como se viu no Chão da Lagoa, através de Jaime Ramos quando catalogou a Zona Franca de 'offshore', termo tecnicamente errado quando aplicado a uma praça com benefícios fiscais? Será ainda teimosia de quem prefere passar o futuro a sopa do que libertar-se já do estorvo que nos asfixia? Ou será efeito da fuga deliberada ao projecto 'Todos pelo Centro, todos pela Madeira', cujo espírito por sinal perdura e bem? Miguel de Sousa, Deputado do PSD-M Defendeu o CINM que criou e que muitos dos seus não souberam salvaguardar, o que, compreensivelmente, é gerador de desespero. Dar a cara pelo futuro tem ainda outro mérito, o de provar a apatia de deputados do PSD-M em São Bento. Rubina Leal, Militante do PSD e autarca Como muitos outros, porventura menos disponíveis para rupturas imediatas, deixou de acreditar na liderança de Jardim. Por isso, demitiu-se de dirigente, alegando "coerência". O líder do partido preferia que deixasse a CMF e o PSD! José Manuel Rodrigues, Líder do CDS-PP Assumiu sem hesitações que nem tudo vai bem no seio da coligação governamental, que a austeridade é reprovável e que até pondera regressar à Região para trabalhar na alternativa ao PSD. Mostrou-se decidido, o que não agrada a alguns. Victor Freitas, Líder do PS-M Foi a Lisboa repudiar austeridade a quadruplicar que afectará a Região. Marcou pontos em estar próximo da liderança nacional, num momento particularmente penoso para um PS que também tenta descolar dos garrotes que aplicou. António Nóbrega, Empresário É mais barato transportar carga aérea entre o Brasil e Lisboa do que entre a capital portuguesa e a Madeira. Em boa hora o empresário António Nóbrega denunciou a disparidade, que tem reflexos nos preços dos produtos.
Ou CINM ou sopas
PSD luta pelo CINM. "Na defesa dos interesses dos madeirenses" ou por causa das directas e do congresso?