Em 1946, Aldous Huxley escreveu um prefácio poderoso no seu livro "ADMIRÁVEL MUNDO NOVO", onde dizia que "(…) A revolução verdadeiramente revolucionária realizar-se-á não no mundo exterior, mas na alma e na carne dos seres humanos. Vivendo, como viveu, numa época revolucionária, o marquês de Sade serviu-se muito naturalmente dessa teoria das revoluções a fim de racionalizar o seu género particular de demência. Robespierre tinha realizado o género mais superficial de revolução: a política. Penetrando um pouco mais profundamente, Babeuf tentara a revolução económica. Sade considerava-se como o apóstolo da revolução verdadeiramente revolucionária, para além da simples revolução política e económica - da revolução dos homens. (…) Não existe, é claro, nenhum laço necessário ou inevitável entre o sadismo e a revolução verdadeiramente revolucionária. Sade era um louco, e o fim mais ou menos consciente da sua revolução era o caos e a destruição universal. Os indivíduos que governam o Admirável Mundo Novo podem não ser sãos de espírito (no sentido absoluto desta palavra), mas não são loucos e o seu fim não é a anarquia, mas a estabilidade social. É com o fim de assegurar a estabilidade que eles efectuam, por meios científicos, a revolução última pessoal, verdadeiramente revolucionária." Se trocarmos "Os indivíduos que governam o Admirável Mundo Novo" pelas siglas dos que tentam controlar os nossos destinos ao sabor das forças do mercado: FMI, BCE, CE… é possível verificar que o texto de Huxley continua assustadoramente pertinente.
Roberto Macedo Alves, Desenhador de BD