João Viegas As tatuagens começaram com os bravos; não os fracos de mente, de corpo ou de espírito. Era um ritual de passagem, uma reivindicação de identidade. Mas o dolo da cultura "mainstream", do complexo mundo da política e da comunicação social fizeram-nos perder as nossas próprias identidades. Perante os mais variados, e disseminados, mecanismos do capitalismo; perante toda a soberania e tirania conjuntural da política, e perante a involução ética e moral dos seres humanos, o único espaço, a única matéria que tenho sobre controlo, é o meu corpo. A minha pele, os meus ossos. Toda esta actual conotação "fora de lei" associada às tatuagens fez-me escolher outro caminho: o de não me querer conformar. Mas ao não me conformar, estou a conformar-me em ser diferente e isso, caricatamente, faz-me continuar a ser igual. São os meus sonhos que me distinguem. A minha alma, o meu espirito. Eu. A minha vida é uma jornada repleta de adversidades. Por isso, luto para ser feliz. E para ser feliz, luto pelos meus sonhos, honrando os valores me foram incutidos. Não sou um artista. Não sou uma obra de arte viva, mas o facto das minhas tatuagens serem temporais tanto quanto a minha vida, faz-me sentir bem e não me esquecer quem eu sou.