Este é suposto ser um artigo de opinião, mas prefiro transformá-lo numa apresentação cronológica de factos. Os últimos dias representam o corolário de uma realidade que tem sido construída entre equívocos de opinião, entre subtis argumentos que ocultam a verdade, entre malabarismos linguísticos que minimizam a responsabilidade e entre comportamentos de uma demagogia populista com intenção de aliviar o ónus dos actores principais da desgraça a que os madeirenses estão submetidos. É por isso também o momento que desmascara todas as promessas de uma campanha eleitoral construída com mentiras. Há na timidez da reacção do PSD-M, ao estrondoso golpe ao bolso dos madeirenses, anunciado pelo Governo do PSD e do CDS, a confirmação tardia, da consciência de quanto sujas estão as mãos dos protagonistas de um partido que submeteu um povo inteiro ao livre arbítrio da governação irresponsável, tendo acabado por oferecer os sacrifícios dos madeirenses em troca do poder por mais 4 anos, traduzido num Plano que massacra o quotidiano do povo. Da mesma forma, há no silêncio ensurdecedor do CDS-M, a prova da cumplicidade com um plano de ajustamento impraticável que gera uma equação impossível à economia da Madeira. E, agora um mesmo silêncio, mas ainda mais audível, com a permissividade fugidia, intermitente mas nunca decididamente com uma intervenção reprovadora, perante um estrondoso garrote ao madeirenses, num dos momentos mais graves da sua história moderna. Por isso, os factos valem agora bastante mais do que a opinião: 1. Desde Janeiro de 2011 que a Madeira está sujeita a um resgate que corresponde a mais de 13% do PIB, três vezes mais pesado que o Plano que está a ser aplicado ao país, tudo por culpa do PSD-M; 2. O PAEF, foi construído nas costas dos madeirenses acabando por ser conhecido apenas depois das eleições com a cumplicidade do PSD e do CDS da Madeira; 3. O PS-M alertou, desde a primeira hora, que o PAEF era impraticável e que as suas exigências não permitiam a obtenção dos objectivos, oferecendo outros caminhos; 4. As medidas anunciadas pelo primeiro ministro sexta-feira não resolvem nenhum problema e aumentam fortemente a austeridade; 5. Pior. Estas medidas contribuem para um aumento directo do défice da RAM em 2013, pela via do aumento da despesa do GR por causa do pagamento de um dos subsídios à função pública; 6. O aumento da austeridade a que os madeirenses estarão sujeitos será toda canalizada para Lisboa, não contribuindo para a resolução dos problemas da Madeira que são, como se sabe, de dimensão superior ao Continente; Posto isto, termino também com um facto: o PSD-M e o CDS-M prometeram estar em melhores condições de defender os madeirenses, mesmo que a realidade os desminta e eles próprios se contradigam!