Não me compete fazer revista de imprensa, e embora com outro tema em calha para hoje, não me consegui conter, pois na sexta-feira, dia 7 de setembro, fiquei presa à imprensa e à televisão. Descrente. Desiludida. Tendo em conta o objetivo, foi "hábil" a escolha do timing da última comunicação do Primeiro-Ministro ao País. Convocada em cima da hora, num final de tarde de uma sexta-feira, antes de um jogo da seleção em que Portugal era favorito, com a maioria dos jornais de fim-de-semana já no prelo. Mas o eco foi foi significativo. Para além da intensa repercussão nacional quer na comunicação social quer nas redes sociais - onde Pedro (Passos Coelho) já "sentiu" necessidade de intervir, um rápido percurso pela imprensa internacional, constata que este fim-de-semana, Portugal sobe, uma vez mais a propósito de austeridade, aos títulos. No El Pais, Finantial Times, The Wall Street Jornal, Bloomberg News, Washinghton Post, Le Figaro, entre outros. Até entre estranhos hieróglifos, encontrei notícias datadas de sexta-feira no Taipei News e no Channel News Asia. E até na Radio New Zealand! Prosseguindo a preocupação do Governo, sempre a demarcar-se de uma Grécia, a mensagem de Portugal lá fora vai reforçando que estamos a cumprir a nossa "pena" de forma satisfatória, até mais "troikistas" que a própria troika, como refere o "El Pais". Aliada à avaliação de bom aluno, ordeiro e cumpridor, passamos agora a mensagem de que a nossa força de trabalho é, também, mais flexível e muito mais barata. Mas o tampão da panela de pressão está ao rubro. São enormes os sacrifícios no consumo, no rendimento disponível das famílias, no desemprego, na confiança, nas expetativas. Dinamite numa economia parada. Já chegámos lá ou ainda será preciso mais um "esforçozito" da sociedade portuguesa? Ainda na volta à imprensa, no mesmo dia 7 de setembro, a seleção de Portugal derrotava a do Luxemburgo, país onde trabalham tantos portugueses e onde o salário mínimo é de 1800 euros. Também nesse dia, junto dos nossos, agora prósperos, irmãos brasileiros, Paulo Portas deu início ao "Ano de Portugal no Brasil", estando agendados uma série de eventos a fim de promover a cultura e fomentar as relações comerciais entre as duas nações. Que nos valham as nossas ex-colónias. Este fim-de-semana conquistámos também a terceira medalha nos Jogos Paraolímpicos. Ora aqui está um grande exemplo de não equidade na cobertura mediática.

Fabíola Pereira - Gestora de Marketing