A festa já era. Para além dos ossos, do palavreado assumidamente “decadente” e de alguma zaragata, sobram 10 momentos que provam que o Chão está a fugir ao PSD-M

1. Sem nada de concreto para partilhar, o “rapaz da camisola verde” tentou vender “esperança”, como se o povo atirado para a miséria pela família social-democrata se agarrasse a dissertações inflamadas pelos líquidos ingeridos e se esquecesse de promessas recentes que não foram honradas. Quem foi que, em Setembro de 2011, disse que não ia afastar ninguém da função pública e agora dispensa mais de 500 professores? Quem foi que, nos últimos anos, repetiu ter dinheiro disponível para acudir às necessidades sociais mas desviou-o para um jornal que consome mais de 3 milhões de euros por ano, para eleitoralismos sem retorno e para uma máquina emperrada?

2. Sem soluções que animem as hostes, nem projectos de libertação, Jardim portou-se como se não fosse governo, como se não tivesse culpa de nada, nem assinado um ruinoso ‘plano de resgate’ que, aliás, importa renegociar urgentemente. Um comportamento irresponsável que, a juntar a tantos outros, implicaria criminalização imediata caso houvesse justiça séria neste País.

3. Outro perigo público de lesa pátria é Jaime Ramos. Para além de ficcionar o escândalo financeiro conhecido pelo ‘buraco da Madeira’, catalogou a Zona Franca como ‘offshore’, como se sabe, termo tecnicamente errado quando aplicado a uma praça com benefícios fiscais. Se o PSD tivesse alinhado no projecto ‘Todos pelo Centro, todos pela Madeira’ teria, no mínimo, aprendido que se o CINM fosse um ‘offshore’ nenhum português poderia ter uma empresa ali registada. Mas se calhar Ramos sabe que assim é e apenas quis animar a plateia com os seus habituais ‘lapsus’.

4. O PSD está mais permeável do que nunca. Até já não consegue esconder que usa meios públicos em benefício próprio. Soube-se sem dificuldade dos serviços fardados da Polícia Florestal, do palco do Turismo e de outros favores e estratégias, o que motivou o reparo público de Miguel Albuquerque ao “aparelho de poder”. Prova inequívoca que a fortaleza está a ceder.

5. O ainda presidente do PSD-M considera “traição” haver concorrência interna nunca permitida e alternativas à sua liderança. Esqueceu-se de como chegou ao poder e de tudo o que manobrou para nele se manter?

6. A frontalidade perdeu-se. Jardim foi incapaz de ser directo nas críticas ao próximo adversário, refugiando-se em generalizações abusivas e incompreendidas por grandes parte dos presentes. Miguel Albuquerque pode ser um estorvo, mas não acreditamos que seja masoquista. Será que alguém acredita em políticos que não queiram ganhar e que no seio do PSD haja “uns invejosos que querem afastar quem lhes deu 45 vitórias em 37 anos”?

7. Algum povo, garante dessas mesmas vitórias, já percebeu que “não há almoços grátis”. Deserdado sem dó, tenta agora não se deixa comprar por quem tem vendido o que não é seu, não respeita o próximo e compromete o futuro. A ida ao planalto deixou de ser uma peregrinação e um momento de catarse. Mais 10 mil, menos 10 mil, numa festa que, na melhor das hipóteses, atraiu metade do que é habitual, não surpreende. Aliás foi a própria organização a prever o fiasco, encurtando antecipadamente espaços e tempos. Por isso, é histórica e inédita a preocupação pública, estampada na capa do JM de hoje, de resumir a festa ao decréscimo do número de presentes, mesmo que empolado!

8. A intolerância na ‘herdade’ foi chocante. Conta quem viu que Jardim foi deselegante para com o ardina de cabelo ruivo que faz pela vida a vender os exemplares do DIÁRIO e sempre presente nas festas do seu PSD-M. Numa era de desemprego galopante, o mediático Ernesto foi perseguido por trabalhar numa empresa do grupo Blandy. O ódio não tem limites?

9. São muitas as provas de instabilidade interna. Tudo por causa da clarificação que se avizinha no congresso necessário. A JSD, mormente a manobrada por José Pedro Pereira, é o espelho dos malefícios do jardinismo. Não admira o diagnóstico do experiente Virgílio Pereira, preocupado com os “problemas existenciais”. Toda a gente sabe onde os mesmos se curam. Esperemos que sem radicalismos e vitimizações, desnorte e desgraça. Afinal, como lembrou Albuquerque, o PSD deve ser “um partido ao serviço do povo”.

10. O país das notícias quase ignorou o que se passou no Chão da Lagoa. Um sinal dos tempos de leitura obrigatória, a que não é alheia a obsessão por não dar palco a figuras nacionais. Há teimosias que só o tempo cura.