Manuela Andrade Os arraiais religiosos expressam a verdade da religião na Madeira e a coerência do bispo. Num tempo de austeridade, em que o primeiro ministro do PSD anuncia mais uma asfixia aos cidadãos, em que o presidente do governo da Madeira continua a desbaratar o dinheiro dos madeirenses no Jornal da Madeira com o silêncio do bispo, também as paróquias continuam a difundir com muita publicidade grandes arraias religiosos com valores inacreditáveis num tempo em que a Igreja devia dar o exemplo e o seu bispo o primeiro a condenar expressamente esses gastos. O arraial no Curral das Freiras foi o que se sabe, na Camacha muito se gastou, no Monte bom dinheiro teve que haver para manter a tradição do maior arraial da Madeira. Mas depois apareceu as igrejas de Boaventura e da Fajã do Penedo e Ponta Delgada que também desejaram entrar no guiness e gastaram-se milhares de euros com os cantores de renome e de música duvidosa para festas religiosas. Ao olharmos para toda esta realidade o padre José Luis é a única voz dos padres madeirenses que procura despertar consciências pois como escreveu no DN estes arraias profanam o santíssimo sacramento, os santos e Nossa Senhora. Aconselho o bispo a ler os escritos do padre José Luis para acordá-lo do sonolento silêncio em que vive com os seus mordomos. Escrevia e bem o padre José Luis que o exemplo vindo de cima ajuda. Por isso, peço ao bispo desta terra que não venha pedir mais esmolas e dinheiro aos cristãos que ainda vão às igrejas, nem dinheiro para a Cáritas e afins, quando os padres e o seu bispo para agradar ao senhores do dinheiro aceitam tudo e são como "cães mudos". Os padres e o bispo ponham a mão na consciência pois as centenas de milhares de euros que gastaram este ano em arraias matavam a fome a muitas famílias e ajudariam muitos necessitados sem trabalho e com filhos. Espera-se que ainda reste um pouco de dignidade e que o bispo não esqueça um proverbio chinês: "um burro fica sempre burro, mesmo quando lhe põem uma sela de ouro".