Estamos no início do segundo semestre do ano e os resultados macroeconómicos que nos são apresentados, não são nada animadores perante a evolução da execução orçamental. A UTAO, Unidade Técnica de Apoio Orçamental da Assembleia da República, divulgou recentemente o parecer sobre a execução orçamental do 1º trimestre do ano corrente que revela que as receitas fiscais e das contribuições sociais ficaram muito aquém do previsível, no primeiro caso devido à diminuição significativa dos impostos indirectos e no segundo face a alta taxa de desemprego registada e o ao aumento acentuado de empresas falidas. Estamos assim perante dados concretos e objectivos que nos deixam ainda mais perplexos pois as políticas prosseguidas por este governo tem vindo a revelar-se infrutíferas o que poderá determinar a necessidade de adopção de novas medidas de austeridade se insistirem no cumprimento do valor imposto pela Troika para o déficit. Esta percepção suscita redobrada preocupação pois como será possível desenhar um novo quadro de austeridade quando os rendimentos das famílias foram reduzidos e espremidos ao limite perante o volume de impostos que estão sujeitos e ao aumento acentuado de bens e serviços tão essenciais à sua própria existência. Não é possível tomar qualquer medida que agrave ainda mais a presente situação porque a acontecer trará graves custos sociais perfeitamente aceitáveis perante tanta insensibilidade e teimosia da austeridade. Ocorre-me transcrever uma afirmação do Nobel de Economia, Paul Krugman, no seu recente trabalho, «Acabem com esta crise, já», « Infelizmente, não estamos a usar o conhecimento que temos, porque demasiadas pessoas influentes- políticos, autoridades públicas e a vasta classe de editorialistas e comentadores que definem a sabedoria convencional - preferiram, por uma série de razões, esquecer as lições da história e a validade das análises económicas de várias gerações, substituindo esse conhecimento arduamente conquistado por preconceitos ideológica e politicamente convenientes.» Ora isto, deixa transparecer que não se iniciou a mudança desejada por interesses políticos e financeiros que não se coadunam com interesse das pessoas. O que precisamos com urgência são políticas expansionistas de emprego, investindo naquilo que é desejável, cortar no dispensável e devolver às famílias poder de compra por forma a sairmos desta crise.
José Manuel Oliveira