Como os cientistas previram há alguns anos a esta parte as alterações climatéricas, estão aí: Invernos e Verões mais rigorosos, esbatendo-se as chamadas estações intermédias, o Outono e a Primavera. Em 2010 foi o que foi, tanto à relação às chuvadas, como calor no Verão, 2011 foi, digamos um ano normal, com excepção da chuva do Outono que escasseou e 2012, até agora, está a ser um ano excepcional seco e com temperaturas mais constantemente altas. O corrente ano está a decorrer, como já dissemos com condições pouco favoráveis devido, principalmente à ausência de chuvas, que só não alimentaram a toalha freática, como também não regaram os terrenos, ou seja, dois prejuízos, situação que demonstrou que a Madeira não está minimamente preparada para situações extremas, até porque temos a considerar ainda outros dois factores: aumento do consumo de água potável e aumento das áreas impermeabilizadas que não permitem as infiltrações, que por sua vez iriam alimentar as nascentes. Com este panorama que poderá ser o horizonte (futuro), urge tomar medidas já, mesmo para prevenir o próximo ano. Contudo, antes disso gostaríamos de fazer um outro exercício que é o seguinte: A Ilha da Madeira possuía cerca de 20.000 hectares cultivados e não faltava água para regar os terrenos, embora houvesse zonas com mais abundancia de água do que outras. Ora o consumo de água para a agricultura, era de10.800.000 m3/ano, equivalentes a 200.000 mil horas de água/ano. Ora se a agricultura baixou para cerca de 5.000 hectares, a baixa na disponibilidade de água para rega deveria ser proporcional ou seja 2.700.000 m3/ano, equivalentes a 50.000 horas de água/ano. Isto significa que foram desviados 8.100.000 m3/ano à agricultura, ou 150.000 horas/ano. Até aqui tudo bem…e estaria absolutamente certo, mas na verdade como o consumo público não ficou satisfeito com aquela diferença de água e as captações feitas não foram suficientes, houve necessidade de "roubar" mais água à agricultura, pois é maneira mais fácil de resolver o assunto, visto os agricultores serem demasiado dóceis…Actualmente para além do aumento de dias no giro, reduziu-se o numero de m3/ por hora. O numero tradicional é de 54.000m3 ( 900 penas de água, equivalente a 900 litros por minuto), mas o que estão a fornecer é inferior a dezoito m3, menos de um terço…. Simplesmente a subida do consumo público, que como se sabe era muito pequeno "per capita" aumentou assustadoramente e a rede de água públicas foi-se degradando, de tal modo que da água que entra nos canos chega a casa dos consumidores menos de metade e a diferença perde-se….em especial no Concelho do Funchal. O ritmo de degradação foi superior ao ritmo de recuperação….Além disso a água potável gasta na rega de jardins também aumentou e muito, quer a nível privado, quer a nível público, porque não se soube resolver essa situação com a melhor solução. Este é o panorama actual, com a agravante do desemprego provocar um maior regresso de pessoas à agricultura, mas sem água… Outro facto muito importante é que continua a correr muita água para o mar e é necessário levá-la aonde faz falta…Veja-se entre o Porto Moniz, Seixal e São Vicente, por exemplo, a quantidade que segundo a segundo alimenta o mar: Central Hidroelectrica da Ribeira da Janela, Ribeira da Janela, Ribeira Funda, Praia da Laje, Ribeiro da Pedra, Ribeira do Inferno, Água d'Alto e outros ribeiros intermédios. É obrigatório um plano de captação de todas as água e se necessário aproveitar as águas das estações de tratamento de esgotos….Muitas vezes as cotas a que surgem estas águas podem obrigar a grandes investimentos não só para a sua captação, como também, o seu armazenamento, mas um melhor aproveitamento das horas mortas na produção de energia e a instalação de energias renováveis, possa baixar custos…sabemos que alguns estudos estão a ser feitos, mas é necessário andar muito mais depressa. Como solução para a guarda dessa água, sugerimos o que se passa no Campanário, onde foi construído há muitos anos uma enorme lagoa subterrânea, pois à superfície em locais quentes, como este, faz-me pensar que a existência do mosquito transmissor do "dengue", pode ser um risco muito grande para a saúde pública. Defendo as lagoas a céu aberto nas zonas muito altas, onde penso o mosquito não se dará bem…. O que acontece na distribuição de água potável, com canalização estragada, também acontece na água de rega, com levadas secundárias de terra ou partidas que provoca a perda de muita água. Nas sedes de Concelho e outras zonas com muitos jardins, deverá captar-se as águas das ribeiras que os atravessam, a exemplo do que recomendei à Camara do Funchal, há um bom par de anos, que fossem construídos tanques por baixo de algumas estradas para receber as águas não só das ribeiras, às cotas mais altas possíveis, como também de chuvas, para utilizar na rega de jardins públicos e privados. Repare-se a quantidade de água que vai para o mar, por exemplo nas Ribeiras de João Gomes, Santa Luzia e Santo António Há outras ideias para a solução desta questão, nomeadamente a conjugação de captação e condução de água com a produção de energias renováveis e certamente outras pessoas terão, também, ideias interessantes e que deveriam ser aproveitadas.
Duarte Caldeira Ferreira