Diana Rodrigues Li o artigo de opinião de Paulo Gomes, na edição de 6.Ago.2012. O Sr. Gomes diz que visitou a zona do Palheiro Ferreiro depois dos incêndios. Comenta que encontrou carros de polícias, carros dos Securitas e agentes de seguros. Viu, também, gente que jogava golfe e que tomava chá e considera, depois, que “seria um crime deixar arder a quinta do palheiro, mas já não foi crime deixar arder umas coisinhas dos pobres”. O Sr. Paulo Gomes está tremendamente enganado e gostaria de esclarecê-lo. Em primeiro lugar, não foram os Bombeiros que salvaram os Jardins do Palheiro, nem o Palheiro Golf, nem a Estalagem Casa Velha do Palheiro. Ajudados pelo vento e pela sorte também, quem salvou tudo isto foram as pessoas que trabalham no Palheiro, incluindo o motorista e o profissional de golfe, e a passar pelo empregado de mesa e administradores. Na noite do incêndio principal tentámos chamar os Bombeiros mas eles, coitados, não nos podiam acudir. Note-se que, pelos Bombeiros, só tenho admiração. Não têm culpa de serem insuficientes em número e materiais; não têm culpa da falta de água. Fazem muito, com pouco. Para mim, são heróis. Ponto final. Naquela noite funcionários – e até um sócio do Clube Palheiro Golf – socorreram o Palheiro Golf. Com todos os meios que tinham ao seu alcance, e com abnegação e coragem, enfrentaram as chamas e conseguiram um pequeno milagre. Sem os Bombeiros. E, nessa noite, e no dia seguinte, muitos se preocuparam com o bem-estar e a segurança do Sr. Adam Blandy, proprietário da Quinta do Palheiro, e pessoa muito querida e respeitada por tantos quantos aqui trabalham. Quem lutou pelo nosso Palheiro, nessa noite e nos dias que se seguiram, praticamente sempre sem Bombeiros, lutou por amor e lutou porque quis. E mais, esses funcionários não vivem num planeta diferente dos demais madeirenses. Inúmeros viram-se obrigados a abandonar repentinamente o seu posto de trabalho por causa de incêndios nas suas próprias casas e nas de familiares. Mas houve sempre um colega pronto a ficar no seu lugar, o tempo que fosse preciso... e nunca houve reparos de qualquer espécie vindos de quadrante algum. E foram essas mesmas pessoas que se apresentaram para trabalhar, nos dias que se seguiram ao incêndio, apesar das péssimas condições e do cansaço acumulado. Essas pessoas, e com muito orgulho me incluo nelas, conseguiram que o campo de golfe nunca chegasse a fechar, para que os clientes (os CLIENTES! Será que o Sr. Gomes sabe isso o que é?) pudessem continuar a usufruir daquilo que pagam – incluindo jogar golfe e tomar chá, mesmo que tenha incomodado tanto o Sr. Gomes. E falso e malicioso inferir que no Palheiro se “joga golfe e toma chá” enquanto os pobres se desgraçam. Na realidade, com grande profissionalismo, os funcionários do Palheiro Golf, apesar do incêndio, apenas continuaram a fazer o que fazem melhor: prestar um execelente serviço a quem nos visita o que, como compreende quem é minimamente esperto, é bom para todos. Finalmente, intriga-me que o Sr. Gomes refira a presença de um perito de seguros com tanto descontentamento. Não é sinal de rigor e boa gestão que um empresa se previna com um seguro? Não são, para as empresas, obrigatórios tantos seguros, incluindo os de acidentes de trabalho e animação turística? E se o Palheiro não tivesse os seguros colocados, e em dia? Se calhar, o Sr. Gomes seria o primeiro a criticar, dizendo que “o inglês” era incumpridor e se marimbava para “os indígenas” que trabalham “para” ele. Porque será que é tão difícil de aceitar, pelo menos para alguns, que o complexo do Palheiro é um local maravilhoso e fantástico, fundado por um senhor (ou uma família) que, por acaso, é estrangeiro? Que compra bens e serviços aos fornecedores regionais e continentais e dá emprego a imensa gente, emprego com direitos, com seguro, com formação, com horário, com médico do trabalho, com férias, etc. etc.? Gente que é respeitada e se sente valorizada e feliz com e no seu local de trabalho? Um local onde há imenso dinheiro investido, dinheiro esse que não saíu dos cofres do Estado? Um local que prestigia a Madeira há décadas? Um local que atrai milhares de turistas, a maior parte dos quais regressam repetidamente? O Palheiro Golf está a organizar um torneio solidário de golfe, para angariar fundos para ajudar as vítimas dos incêndios, tal como fez depois do 20 de Fevereiro. O Palheiro Golf acolhe repetida e assiduamente crianças e jovens de associações e centros de acolhimento. O Palheiro Golf não é um planeta distante habitado por extra-terrestres. É um sítio na Madeira, lindo e acolhedor, onde trabalham muitas pessoas simpáticas e competentes, a maior parte das quais madeirenses. E, já agora, será que o Palheiro, e outras empresas e empresários cumpridores, não têm o direito de recorrer aos Bombeiros quando precisam? Uma parte dos Jardins do Palheiro ardeu. As zonas envolventes do campo de golfe arderam. Houve estragos e prejuízos e a zona está mais triste, e provavelmente demorará décadas a recuperar totalmente. Será que o Sr. Gomes fica mais satisfeito? O Sr. Gomes, ao tentar insinuar na opinião pública a noção que houve pobres que perderam “umas coisinhas” porque os nossos Bombeiros estavam ocupados com a Quinta do Palheiro presta um mau serviço. Primeiro, porque é falso e, segundo, porque faz perpetuar uma mentalidade que já deveria estar mais do que ultrapassada. Cumprimentos