Nós não acusamos o agiota apenas pelo facto de cobrar juros por um empréstimo. A agiotagem da nossa denúncia refere-se ao empréstimo de dinheiro em condições e prazos impagáveis, pondo em causa as possibilidades de desenvolvimento de um Povo. Agiotagem é o que faz, em relação à Madeira, o Governo liderado pelo PSD/CDS. Em números redondos, pagaremos cerca de 635 milhões de euros pelo empréstimo de 1.500 milhões solicitado à República. Em média, serão pagos 61,5 milhões de euros relativos a encargos com as amortizações e os juros do empréstimo contraído. O que está em causa são os juros e as comissões relativas a um empréstimo agiota que irá impor inaceitáveis sacrifícios aos trabalhadores e às populações, com condições que destroem a frágil capacidade produtiva regional e, em particular, destruindo as micro e pequenas empresas que são a base essencial do emprego. Em vez do empréstimo concedido à Região contribuir para a criação de condições visando o crescimento da economia regional, em vez de estar a favorecer a defesa da capacidade produtiva, e o investimento público, está, isso sim, a fazer crescer o empobrecimento do Povo e da Região. As populações da Região são assim duplamente penalizadas, pois não só cumprem as suas obrigações enquanto cidadãos portugueses perante os ditames da Troika ocupante acordados com a troika colaboracionista (PSD/CDS-PP/PS), como estão igualmente obrigados ao pagamento do tributo que lhes é exigido pelo acordo secretamente cozinhado entre o Governo da República e o Governo Regional. É tempo de dizer BASTA!

Edgar Silva, Deputado do PCP na ALM