Ramiro Morna Nascimento Sábado, 4 de Agosto, seriam 11h10. Na minha caminhada rumo aos Socorridos, no Gorgulho mudava-me do passeio sul para o de norte. Parei, olhei. As duas faixas livres. Entrei na "passadeira". Ia quase a meio e eis-me surpreendido por um "pelotão" de ciclistas vindos da minha esquerda, direitos a mim. Não seriam marginais, nem adolescentes. Equipados a rigor, pedalavam a boa velocidade. O cabeça de grupo passou-me uma tangente, não fora eu estancar e lesto a esquivar-me. Seguiu-se um 2.º, um 3.º, um 4.º a "investir" e eu a fazer de "toureiro" (que pena não ter "espada"), envolto pelas bicicletas do pelotão disperso. Indiferentes ao respeito pela "passadeira", alguns pisavam a faixa contrária. No meio da confusão gritei "'tá tudo louco"; um deles voltou-se para trás dirigindo-me um "piropo" que não decifrei, parecendo-me estar a dirigir-se à sua mãezinha! Enquanto eu, atónito mas vivo, atingia o passeio norte, o pelotão desaparecia veloz no sentido do Funchal. Um senhor, boquiaberto, dizia-me "é o país que temos; teve muita sorte não ir parar ao hospital". No abrigo dos autocarros, lado sul, uns estrangeiros meneavam a cabeça! Um amigo disponibilizou-me um telefone. Liguei ao 112, seriam 11h20. A uma senhora telefonista, muito solícita, relatei a ocorrência. Perguntou-me qual a direcção em que seguia o grupo. A ocorrência poderia ter tido, para mim, um desfecho desagradável não é caso único. Tenho observado que há "ciclistas" que não respeitam os sinais luminosos e tanto seguem pelos passeios, como nas faixas de rodagem, ignorando "passadeiras" e peões. E é vê-los no passeio sul da Av. do Mar, no Cais da Cidade, na Monumental…, pedalando descuidadamente sem sinal sonoro ou luminoso. Uns serão adultos, outros jovens, quiçá em "acções de formação" para marginais (desconheço se será comparticipada pela C. E.). E haja quem se atreva a uma chamada de atenção. Receberá, pelo menos, uns piropos reveladores da sua esmerada educação e civismo! Tempos atrás, ainda os subchefes patrulhavam a rua, dirigi-me a um graduado, ante um caso flagrante. Resposta: "o passeio nada tem a ver com as normas de trânsito". Retorqui: "então porque multam os carros sobre os passeios?". Ante o silêncio, prossegui a minha marcha! Face ao número crescente de bicicletas e de ciclistas, menores e maiores, cumpridores e transgressores que pedalam pela nossa cidade, não será de a C. M. Funchal e o Comando Distrital da PSP se debruçarem sobre tão revoltante assunto? Ao menos que nos ensinem como defendermo-nos desta praga, ou será que a lei está na roda dianteira das bicicletas? Já servi na PSP, anos 58/59. As normas e regulamentos eram claros e obedecidos. Outros tempos! Porque não, V. Exas. Senhores da Autoridade, garantirem ao Cidadão que cumpre leis e paga impostos a "língua de palmo", a defesa dos seus mais basilares direitos? Fico-me na expectativa e agradecido.