O verão das temperaturas altas e das tardes longas e húmidas dará, brevemente, lugar a dias mais curtos e temperados. Agosto funciona tradicionalmente nas sociedades ocidentais como o mês das férias, das viagens, das festas e arraiais, e dos reencontros com os familiares que "estão fora". Agosto sempre disfarçou as fragilidades, mas a cada opinião que ouço, há um sentimento generalizado que as coisas estão muitos difíceis, que houve verões de exagero, de boémia, de falta de temperança, que se "gozou o prato" em demasia. Estamos nitidamente a pagar pelos exageros, pela falta de rigor, pela incúria e pela ligeireza das decisões políticas. Temos que nos reerguer, de acertar o passo, de tocar a rebate e traçar uma linha. Um amigo meu costuma dizer que atualmente, "ninguém se enfrenta". Em tempos incertos e de desconfiança há sempre tendência para o refúgio. A nau continua sem rumo, à espera que algo aconteça, que o timoneiro aviste terra firme, que o tempo amaine e a esperança regresse. Não podemos ficar à espera de homens prodígio, que tragam tudo de volta. Precisamos de um timoneiro, é certo. Mas necessitamos, principalmente, de homens e mulheres competentes e com bom senso na liderança de processos. Da sociedade civil. Da World Wide Web (rede mundial) dos muitos e valiosos emigrantes que estão espalhados pelo mundo. Precisamos de mão firme, de reconquistar credibilidade, de reinventar conceitos, de saber ouvir os melhores, de defender a autonomia sem hipotecá-la, de almejar um futuro melhor para todos nós. Temos que arriscar mais. Afinal, o verão está a acabar.
Rui Barreto, Deputado do CDS na ALM