José Miguel (ex-jogador santanense, anos 60) Decorria o ano de 1956, Santana dava azo a um grande evento: A inauguração do seu campo de futebol. Marítimo, união, Nacional e Sporting da Madeira, foram protagonistas do espectáculo desportivo, realizado pela primeira vez em Santana, inaugurando assim, juntamente com as entidades oficiais, aquele recinto desportivo, que se chamou campo municipal de Santana, dando-se o pontapé de saída, para que naquela pacata aldeia, se começasse a dar, os primeiros toques na redondinha.
Este recinto, passou a ser ponto de encontro, para um punhado de rapazes, que ao domingo se juntavam, para as suas peladinhas. Entretanto pensou-se mais a sério no assunto, organizou-se um grupo desportivo, surgindo uma direcção formada por, Manuel Trindade, (presidente da câmara) Manuel Ferreira, (feitor agrícola) Gabriel Mendonça, (funcionário publico) Manuel Caldeira, (comerciante) e António de Jesus, (funcionário da Junta Geral).
Providenciou-se um equipamento, com pedaços de tecidos, pedidos nas “lojas de fazenda “ e a boa vontade das costureiras. Brilhavam os calções azuis e as camisolas vermelhas, onde se liam nos seus emblemas, as iniciais G D S (Grupo Desportivo de Santana). Contratou-se um antigo jogador do Marítimo, Francisco (o Tabaca),que ficou responsável não só pelos séniores, mas também pelos iniciados, onde cerca de trinta miúdos, treinavam descalços, à espera dumas chuteiras que nunca chegaram.
Cansou-se esta direcção, foi-se o treinador, ficando o grupo entregue a si próprio e à carolice do Mestre Manuel dos canos e do guarda-redes Basílio, jogando muitos amigáveis, com equipas dos diversos pontos da ilha, sobrevivendo a expensas dos próprios jogadores.
Com a saída destes dois carolas para o estrangeiro, deu-se um interregno, surgindo posteriormente, um futebol com outros parâmetros, ao abrigo do som do metal precioso, já em tempo de vacas gordas.