Surpresa a receita fiscal dos primeiros meses de 2012 ficar aquém da execução orçamental prevista? Claro que não! Surpresa seria o contrário. Daí que não se possa aceitar este argumento para colocar mais austeridade nas famílias portuguesas. Os que arcam com mais austeridade já pagaram o primeiro PEC em julho e liquidarão o próximo em setembro. Os que arcam com a austeridade, já pagaram a maior taxa de IVA de sempre e em breve voltarão a pagar. Estes mesmos preparam-se para até final de agosto saldar o IRS de 2011, fruto de taxas extraordinárias. São estes que pagam por litro de gasóleo 300 escudos para trabalhar. Os que sentem a austeridade, em breve pagarão mais IMI pela habitação que construíram, sobre a qual pagaram impostos e pagam juros mensais. Caso consigam uma pequena poupança, entregarão 25% dos juros desta ao Estado. São estes ainda que, se tiverem filhos no pré-escolar público, pagam taxas de inscrição e propinas mais altas que o ensino superior. Mais austeridade? Será novamente para estes e a receita pública continuará a decrescer. Precisamos de animar o comércio e as empresas, de criar postos de trabalho, de estimular a economia. Precisamos de melhorar as performances dos políticos e gestores da coisa pública e premiar o mérito e os objetivos. Admiramos um político que não se condiciona pelas próximas eleições, mas não compreendemos um Governo que asfixia o seu povo em impostos para salvar as finanças públicas e assim destrói o futuro dos jovens do seu país, convidando-os a emigrar. É tempo da economia falar mais alto que a finança, mesmo que Vítor Gaspar não concorde, que a troika não o diga e em nome da social-democracia.
Nuno Maciel, Professor