Pedro Melvill de Araújo Há alguns dias um amigo publicou no Facebook este: “Pequeno poema” de Sebastião da Gama Quando eu nasci, ficou tudo como estava. Nem homens cortaram veias, nem o Sol escureceu, nem houve Estrelas a mais... ...Somente, esquecida das dores, ...a minha Mãe sorriu e agradeceu. Quando eu nasci, não houve nada de novo senão eu. As nuvens não se espantaram, não enlouqueceu ninguém... Pra que o dia fosse enorme, bastava toda a ternura que olhava nos olhos de minha Mãe... Um ou dois dias depois fui ao cinema com as minhas três mulheres ver um filme de animação – Brave no original, Indomável na versão portuguesa. Trata-se da história de uma princesa de um reino da Escócia, onde se pode chegar facilmente no barco da imaginação. A princesa, Mérida de seu nome, tinha na Rainha sua Mãe, uma forte tutora no que dizia respeito aos deveres de uma princesa real que, muito esforçadamente e contra os desejos da sua descendente, lá ia ensinando com se deveria comportar uma Princesa. Mérida tinha, no entanto, uma enorme necessidade de cavalgar com os fartos cabelos ao vento e praticar tiro ao alvo com o arco que o Rei seu Pai lhe tinha oferecido em criança, muito a contra-gosto da sua Real Esposa. Quando enfim chegou a altura de ser escolhido um pretendente, caíram o Carmo e a Trindade lá do sítio e Mérida tudo fez para que a escolha não se efectivasse, tendo até recorrido a um feitiço contra a Senhora sua Mãe. Não vou, obviamente contar o enredo, mas dizer que, após muitas peripécias, Mérida conseguiu não só reverter o feitiço, mas também convencer a Rainha de que o futuro que lhe estava destinado deveria ser ela a escolher e não as convenções dos homens que mandavam no reino e nas tradições. Num mundo onde desde sempre foram os homens a mandar, houve e haverá sempre umas Indomáveis que, não querendo fazer o que aos homens era destinado, sabiam como indicar novos caminhos a quantos só sabiam manter os hábitos que as tradições por si inventadas exigiam. Há inúmeras histórias de mulheres que, não querendo levar os louros de estarem a fazer “o trabalho dos homens” (também as há), tiveram o dom de mudar o rumo de países, Mulheres como a Duquesa de Bragança, que preferiu ser Rainha por um dia do que Duquesa a vida inteira, e à conta dessa opinião, lá ficou o nosso País de novo independente, nos idos anos de 1640. Há muitas mais, com exemplos mais fortes e menos fantasiosos e, julgo, qualquer dia é um bom dia para homenagear todas as Indomáveis/Braves que todos os dias nos influenciam e que nos permitem, homens e mulheres, sermos um pouco melhores nos nossos comportamentos quotidianos. Bem hajam as Indomáveis deste mundo, porque: Quando eu nasci, ficou tudo como estava. … Pra que o dia fosse enorme, bastava toda a ternura que olhava nos olhos de minha Mãe...