Manuel Costa No sábado passado, quase por acaso, assisti a uma missa de casamento na Igreja da Boa Nova. Não era minha intenção. Mas fiquei até ao fim. Não pelo casamento... A igreja tem andado nas bocas do mundo pela postura dos seus sacerdotes perante os sinais dos tempos. Mas não é essa a razão desta carta. Reconheço que não sou de grandes emoções dentro da Igreja mas desta vez senti-me atraído por aquele espaço e com alguma emoção á mistura resultante da dinamização da cerimónia litúrgica implementada por um jovem Padre, que me disseram no final, de nome TONI. Habituado ao cinzentismo das missas, rostos fechados de medo, movimentos estereotipados, encontrei um ambiente alegre, uma banda musical, um coro jovem, ritmos acompanhados com palmas e corpo. Sei que era o casamento de dois jovens empenhados e activos na vida daquela paróquia. Mas conquistaram-me. Na homilia falou para os noivos. Não de amor abstracto, mas de coisas concretas, de realidades, elogiou a noiva (com muita razão e eu confirmo),de lealdade e cumplicidade. Falou que não há caminhadas sem pausas e que precisam estar preparados. Não falou de obediência, conceito hipócrita geralmente utilizado por quem não tem capacidade de diálogo. Apreciei a sua honestidade intelectual. Reconheceu que se esqueceu de uma cerimónia relativa aos noivos na ocasião própria. Até se referiu aos carecas como uns tipos porreiros e importantes. Senti-me elogiado. Às tantas e antes da benção final coloca o pé esquerdo em cima de uma cadeira ao lado do altar, um microfone a jeito e uma viola da mão. Anuncia que escreveu um poema nessa manhã. Com uma melodia bonita, uma voz embora esforçada, cantou para a Cátia e o Raul (os noivos), aplaudido de pé no final. Vi rostos alegres, jovens e adultos com emoção sentida esquecendo que no meu rosto corria uma lágrima sem conseguir perceber a razão. A cerimónia acabou. Quase ninguém saiu da igreja, as pessoas juntavam-se em grupos e conversavam animadamente, ouviam a banda, o padre (á civil) percorria os vários grupos, conversava, ria com algumas gargalhadas. Gostaria de ter conversado com o Homem (quem sabe alguma vez volte a espreitar). Encorajá-lo a continuar com este dinamismo. Avisou que não iria cantar noutros casamentos. Não cante em todos, mas faça-o mais vezes. A Igreja precisa de ministros assim. Parabéns padre Toni. A seu lado o padre Sá meu professor de Matemática há 47 anos. Não resisti a um forte e emotivo abraço. Na rua champanhe para todos e vivas aos noivos. Brindei com o pai da Cátia e sogro do Raul. Um dia que não irei esquecer. E fui à minha vida. PS1- Uma sugestão – O Vaticano deve diminuir a idade dos Bispos. Isto só vai com gente mais jovem. Se não conseguir no aspecto físico pelo menos na idade mental.